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Brasil precisa globalizar indústria automotiva

A indústria automotiva nacional precisa enfim se inserir no cenário global. Caso isso não aconteça, o setor continuará dependente apenas do mercado interno, exposto aos altos e baixos que afetam qualquer nação emergente. O recado foi dado por Letícia Costa, diretora da Prada Assessoria, durante o III Fórum da Qualidade Automotiva, promovido pelo IQA em São Paulo na segunda-feira, 21.
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Giovanna Riato

21 set 2015

2 minutos de leitura

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A consultora aponta que, por mais que as empresas estejam enfrentando dificuldades diante da crise econômica, é necessário investir em melhoria da qualidade. Para ela, este será um dos aspectos essenciais para que as companhias do setor saiam da crise. “Será preciso exportar no curto prazo, algo que já pode acontecer a partir de 2016. Mas, se o Brasil quiser ter indústria automotiva séria precisará exportar para outros países além dos nossos vizinhos no médio e longo prazo”, determina.

A especialista cita o exemplo do México. Com o fortalecimento das fábricas de veículos e da cadeia produtiva, o país vende internacionalmente cerca de 80% da sua produção, o que garante que certo equilíbrio seja mantido mesmo em momentos de contração da demanda no mercado interno ou em algumas nações para onde são exportados os carros feitos ali.

Por outro lado, Letícia avalia que os progressos feitos pelo Brasil nos últimos anos foram pequenos. Segundo ela, houve leve ganho de produtividade, mas ainda inferior ao de outros mercados, como os Estados Unidos. Com isso, cresceu o abismo de competitividade entre a indústria nacional e a externa. “Nos últimos 10 anos a indústria nadou de braçada no aumento dos volumes – muitas vezes artificial, por meio de incentivos do governo – e fez pouco progresso”, critica.

A consultora aponta que, neste período, aconteceram apenas melhorias incrementais em processos já existentes, sem que nada completamente novo fosse implementado. Letícia acredita que será necessário muito trabalho para reverter o atraso. “A mudança precisa acontecer com velocidade. No lugar de custo as empresas precisam pensar em agregar valor. No lugar de evolução, precisam pensar em revolução”, enfatiza.

Ela acredita que investir em qualidade será determinante no longo prazo. “O Brasil tem mercado fechado que vai se abrir nos próximos anos. Não sabemos em qual velocidade isso vai acontecer, mas sabemos que não há como fugir. Neste caso a melhoria da qualidade será questão de sobrevivência.” Letícia destaca ainda que será necessário investir em capital humano, com mais qualificação para a mão de obra, trabalhar na gestão da mudança e ainda se empenhar para trazer inovação. “Falta proatividade na busca por soluções”, avalia.

Internamente a consultora avalia que há espaço para agregar valor aos produtos. Segundo ela, os últimos anos deixaram claro que a melhor estratégia não é a de vender veículos básicos por baixo custo, mas sim carro acessíveis que tragam conteúdo e tecnologia.

Assista à entrevista exclusiva com Letícia Costa, da Prada Assessoria: