
O futuro do setor automotivo brasileiro no mercado global dependerá da capacidade do país de enfrentar desafios de longa data: altas taxas tributárias, o chamado custo Brasil e a descarbonização da mobilidade, segundo o presidente da Toyota, Rafael Chang. O executivo e Geovani Fagunde, sócio líder para a área automotiva da PwC, participaram nesta terça-feira (23/11) do #ABX21, promovido online por Automotive Business.
“A reforma tributária tem que ser uma prioridade do país para simplificar os tributos e ajudar na recuperação de crédito pelas empresas. O sistema tributário brasileiro é um problema para melhorar o protagonismo do país no mercado global”, afirmou Chang. “Temos capacidade para exportar mais. O Corola Cross híbrido flex começamos a exportar para 22 países da América Latina.”
Para Fagunde, a carga tributária é o principal fator para a falta de competitividade do Brasil. “Por mais que tenhamos o Rota 2030, a carga tributária ainda é muito pesada para ter um nível de competitividade comparado globalmente. Dentro do nosso mercado de América Latina somos competitivos, mas são poucos exemplos de projetos que tem uma plataforma global atendida pelo Brasil em outros lugares do mundo”.
Outro desafio para os próximos anos é a descarbonização do transporte. Segundo o presidente da Toyta, esse processo considerar as diversas tecnologias disponíveis (como os híbridos, plug in, elétricos e os veículos de célula de combustível de hidrogênio) e adaptá-las de acordo com a necessidade de cada local. A montadora conta com mais de 25 mil carros híbridos flex.
“Vai sempre depender do desenvolvimento da infraestrutura e das rotas tecnológicas disponíveis. As diferentes tecnologias podem conviver no mesmo momento a fim de oferecer o conceito de mobilidade cada vez mais integrado”, afirmou Chang. “O Brasil tem potencial muito grande com o etanol e o hidrogênio verde, vamos ter que ver a competitividade e escala desse hidrogênio, fatores determinantes para atrair investimentos.”
Na visão de Fagunde, a integração de diferentes rotas tecnológicas é uma estratégia importante para acelerar a descarbonização do transporte no país.
“Precisamos também definir qual será a estratégia para fazer a migração para os elétricos. Alguns países estão fazendo a transição para a mobilidade elétrica mais rápida por causa da law enforcement e do investimento em infraestrutura. No Brasil, a renovação da frota demora mais e não tem infraestrutura para isso agora.”