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Foto: Carlos Ghosn, presidente da Renault, comenta os resultados da companhia em 2011.
Redação AB
O Grupo Renault registrou lucro líquido em 2011 de € 2,09 bilhões, sustentado em larga medida pelos bons resultados fora da Europa, especialmente no Brasil e na Rússia, e pelos ganhos das empresas associadas a companhia francesa, principalmente a japonesa Nissan.
O resultado líquido apurado no ano passado é 39% menor do que o de 2010, de € 3,42 bilhões. Contudo, o lucro de 2011 é mais consistente, pois o ganho do ano anterior foi inflado por um evento extraordinário, a venda de ações “B” que a Renault tinha da Volvo AB, que sozinha rendeu € 2 bilhões.
“A Renault encarou diferentes crises durante o ano excedendo seu objetivo de fluxo de caixa para 2011. O crescimento de 19% nas vendas fora da Europa, notadamente no Brasil e na Rússia, ilustram o avanço internacional do grupo. Em 2012 esperamos que os negócios internacionais vão superar 43% do total, ao mesmo tempo em que deveremos nos manter como marca mais vendida na França e segunda na Europa”, avaliou Carlos Ghosn, presidente da Renault, durante a divulgação dos resultados da companhia na quinta-feira, 16.
SUPERAÇÃO DE IMPACTOS NEGATIVOS
O faturamento global do ano cresceu 9,4%, para € 42,6 bilhões, mas a margem operacional ficou praticamente estável em 2,6% (contra 2,8% em 2010), totalizando € 1,1 bilhão. A operação automotiva contribuiu com somente € 330 milhões do resultado, em queda de 16,6% sobre 2010. A maior parte da margem veio do braço financeiro da Renault, o RCI Banque, que apurou ganho de € 761 milhões, em alta de 8,2% ante o exercício anterior.
Segundo o informe financeiro da Renault, apesar do faturamento € 455 milhões maior e de economias de € 500 milhões, o resultado da operação automotiva foi negativamente afetado por alguns fatores combinados. O aumento do custo de matérias-primas no ano foi calculado em € 509 milhões extras, outros € 199 milhões foram perdidos por variações cambiais desvantajosas, enquanto preços de produtos em queda significaram € 245 milhões a menos no caixa. Além desses impactos, a contração no fornecimento de peças causada pelo terremoto e tsunami no Japão causou perda de produção com impacto negativo estimado em € 200 milhões no ano passado.
Apesar dos diversos impactos negativos, a companhia conseguiu exceder a meta de fluxo de caixa, que terminou o ano positivo em pouco mais de € 1 bilhão. Com isso, a Renault manteve capital de giro e investimentos em níveis adequados para sustentar a operação. A manutenção do caixa permitiu a redução da dívida líquida pelo terceiro ano consecutivo, para € 299 milhões, o menor nível histórico segundo a companhia, com queda de € 1,13 bilhão durante o ano.
CONTRIBUIÇÃO EXTERNA
A associação da Renault com outras empresas gerou ganho total no ano de € 1,5 bilhão, em alta de 18% sobre 2010, e assim salvou boa parte do lucro de 2011. A participação na Nissan, sozinha, rendeu € 1,33 bilhão, valor quase 23% maior do que o obtido no exercício anterior. Já a parte da Renault na Volvo AB resultou em € 136 milhões, em queda de 36,5%. A parceria com a russa Avto Vaz deu seu primeiro resultado positivo, de € 49 milhões, anulando em parte as perdas de € 21 milhões em 2010.
PERSPECTIVAS PARA 2012
Para este ano a Renault projeta expansão de 4% no mercado global de veículos leves. A expectativa é de crescimento nos países emergentes, 5% no Brasil e 8% na Rússia. Com cenário econômico incerto, a projeção é de queda nas vendas de automóveis de 3% a 4% na Europa, e de retração ainda maior na França, de 7% a 8%.
Os principais lançamentos previstos para 2012 incluem a quarta geração do compacto Clio, o Lodgy, o ZOE e a nova linha de motores Energy. A Renault também deverá introduzir uma nova identidade visual em seus modelos.