
De acordo com o relatório, o mau posicionamento do Brasil se deve principalmente ao alto custo da mão de obra, alto preço do capital, baixa qualidade de infraestrutura de transporte e do ambiente macroeconômico desfavorável. Em todos os quatro quesitos o Brasil ficou na pior colocação do ranking.
Em nota, o gerente da pesquisa, Renato da Fonseca, declarou: “A indústria brasileira está perdendo espaço tanto no mercado interno, como no externo. O baixo nível de investimento, sobretudo em inovação, certamente se apresenta como uma das razões para esse desempenho. Mas por que as empresas deixariam de investir se isso é crucial para sua sobrevivência? É aqui que o ambiente econômico desfavorável, a deficiência na infraestrutura do País e a baixa qualidade da educação mostram sua importância”.
O sistema de transporte do País é o menos competitivo entre os 14 países pesquisados. A pior situação é a dos portos e aeroportos; a infraestrutura ferroviária coloca o Brasil em 12ª posição, e a qualidade das rodovias, em 11ª. A situação da infraestrutura de energia e comunicações é melhor. O Brasil está em 6º, atrás da Rússia, Coréia do Sul, Chile, Polônia e Espanha. O País aparece ainda em 8º lugar na comparação dos serviços associados ao comércio exterior alfândega, capacidade logística, rastreabilidade e pontualidade.
No ambiente macroeconômico, mesmo com a queda dos juros nos últimos meses, a taxa real no curto prazo tornou o capital brasileiro o mais oneroso dos 14 países. No entanto, o País ocupa posição intermediária (7ª) na disponibilidade de capital, por oferecer mediana facilidade de acesso ao financiamento, de captação de recursos no mercado de capital e de mobilização de capital para projetos de inovação.
Outra barreira apontada foi a carga fiscal: neste quesito, o Brasil aparece em penúltimo lugar no critério peso dos tributos, à frente apenas da Argentina. Apesar de todas as barreiras macroeconômicas, o País tem como vantagem o movimentado mercado interno: apenas os mercados da China e da Índia são mais dinâmicos que o brasileiro.
Em tecnologia e inovação, o Brasil aparece em situação privilegiada, apenas as companhias da Coréia do Sul, da China, do Canadá e da Austrália são mais inovadoras. O nível de apoio oferecido pelo governo brasileiro à ciência e tecnologia coloca o país em 7ª posição nesse critério. Contudo, a qualidade da educação rebaixa o país para a 8ª posição em um ranking de dez nações que têm informações comparáveis no quesito educação.
“A educação é a base de tudo. Sem educação não há inovação e os ganhos de produtividade tornam-se escassos”, afirma Fonseca.