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Brasil tem 1,4 milhão de pessoas trabalhando como entregadores e motoristas

Apenas no setor de entregas, número de trabalhadores cresceu quase 1.000% em cinco anos
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Victor Bianchin

21 out 2021

2 minutos de leitura

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O Ipea (Instituto de Pesquisa Aplicada) divulgou nesta quinta-feira uma pesquisa sobre gig economy, termo que designa trabalho esporádico e sem vínculo empregatício. Segundo o estudo, 1,4 milhão de pessoas no Brasil trabalham para aplicativos de transporte de passageiros ou mercadorias.

Isso corresponde a 31% das 4,4 milhões de pessoas que trabalham no setor de transporte, armazenagem e correios, segundo o instituto. Os cálculos vieram de dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Continua) e na Pnad Covid-19.

Falando apenas sobre o transporte de passageiros, no primeiro trimestre de 2016, eram 840 mil trabalhadores nessa função. No primeiro trimestre de 2018, eles eram 1 milhão e, no terceiro trimestre de 2019, chegaram a 1,3 milhão. Em 2020, houve queda por causa da pandemia, mas, nos dois primeiros trimestres de 2021, o índice voltou a se estabilizar em 1,1 milhão.

Já no que diz respeito ao transporte de cargas, o número passou de 30 mil trabalhadores em 2016 para 278 mil no segundo trimestre de 2021, um crescimento de 979,8%. Além disso, entre o primeiro trimestre de 2016 e o segundo de 2021, o estudo observou que 5% dos trabalhadores tinham essa ocupação fazendo entregas como um trabalho secundário. Esse valor dos que fazem dupla jornada teve seu ápice em 2019, com 7,4%.

É importante frisar que não estão contabilizadas no estudo pessoas que trabalham com CLT para empresas de logística, por exemplo. Como o escopo do estudo é apenas a “gig economy”, contam apenas indivíduos que “fornecem um serviço (como uma entrega para viagem ou uma corrida de táxi) sob demanda, por meio de uma plataforma ou um aplicativo (como Uber, inDriver ou 99) que conecta diretamente os consumidores com esses ofertantes, os quais são remunerados por cada rodada de serviços que prestam, em vez de um salário fixo”.

O estudo pondera que a “explosão dos aplicativos” serviu para inflar esse mercado. “[Os aplicativos] contribuíram para uma transformação no mercado de trabalho pela substituição de empregos em locais e horários fixos por formas mais flexíveis, com trabalhos sob demanda e remuneração por serviços”, diz a nota divulgada. A pandemia, diz o texto, serviu para precarizar esse mercado, uma vez que reduziu a renda dessas pessoas devido à queda na demanda.

Confira o estudo completo.