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Brasil tem baixo investimento e preços altos de produção

Os dois problemas econômicos mais graves enfrentados pelo Brasil atualmente estão intimamente ligados com as relações de trabalho, apontou José Pastore, professor de relações trabalhistas da FEA-USP durante o I Fórum de RH da Indústria Automobilística, promovido por Automotive Business, na segunda-feira, 13, em São Paulo. Ele elenca a inflação, que faz com que os preços dos produtos e dos serviços saltem, e a falta de investimento em infraestrutura, que há 30 anos mantém a produtividade brasileira estagnada.
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Redação AB

14 mai 2013

4 minutos de leitura

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“Não há nada melhor do que o aumento dos salários e dos benefícios para impulsionar o consumo, mas isso só é bom desde que seja acompanhado por um ganho de produtividade da indústria. Não é o que acontece no Brasil”, afirmou Pastore.

A ponderação está fundamentada no estudo apresentado por André Portela Souza, professor da escola de economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que também durante o Fórum RH falou sobre o custo do trabalho na indústria. Segundo a pesquisa, enquanto a linha que representa a evolução da produtividade se mantém quase que em reta (linha tracejada azul), a de custo de trabalho é uma curva ascendente (linha tracejada verde), conforme mostra o gráfico abaixo, que considera o período entre 1998 e 2011.

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“Percebemos que a produtividade não cresceu na mesma proporção que o custo médio de remuneração e essa equação é o que mais dói no bolso das empresas. O custo real do trabalho chega a ser 183% maior que o total bruto assinado em carteira”, justifica Portela.

Na opinião de Pastore, as empresas lidam com essa equação de duas maneiras: aumentando o preço do produto ou diminuindo seu lucro. No caso da indústria automobilística, o professor diz que a primeira alternativa é a que tem sido adotada.

“Em visita a uma empresa coreana, perguntei por que mantém uma unidade no Brasil. A resposta foi a seguinte: O Brasil tem o maior custo para se produzir um veículo, mas também é lá que consigo vender o carro mais caro do mundo. Eu me pergunto até quando o consumidor vai se submeter a pagar mais por um bem que lá fora sai muito mais barato. Do jeito que temos caminhado, daqui a sete anos, teremos uma grande perda de produtividade e de competitividade. O setor automotivo já mostra isso claramente. Se abríssemos as nossas portas para as importações, o problema seria ainda pior.”

Ele lembra que o custo do trabalho não está relacionado apenas à explosão dos salários, como também ao aumento de todos os benefícios pagos aos funcionários, como cesta básica, vale transporte, vale refeição, plano de saúde, transporte, entre outros. A pesquisa apresentada por Portela também revela esses dados: 2001 e 2011, o custo unitário do trabalho, ou seja, o custo de uma hora do trabalhador brasileiro na indústria subiu 70%, passando de US$ 3/hora para US$ 11/hora.

“Não é um valor tão alto, mas o custo no Brasil foi um dos que mais cresceram neste período entre os 34 países pesquisados: perde apenas para República Tcheca, Estônia e Eslováquia”, revela Portela.

Como consequência, a indústria sente pressão pelo aumento da demanda pelos produtos e pela falta de mão de obra disponível para atendê-la. Pastore acredita que as soluções passam também pelos departamentos de RH, que têm de atuar cada vez mais próximos dos empregados, dos sindicatos patronais e das associações setoriais de forma proativa, fortalecendo o associativismo. Na visão dele, uma reforma trabalhista será viável a longo prazo, trabalhando por partes e constantemente, rumo à modernização dos direitos trabalhistas.

“A CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) não é ruim, mas está ultrapassada. Por que um trabalhador portador de deficiência física não tem direito a dois ou três dias de folga para fazer suas fisioterapias? Por que ainda temos uma carteira de trabalho impressa e não em cartão magnético? São medidas simples que, aos poucos, fariam toda diferença. A doença do Brasil é a sua fraca capacidade de produzir. Temos uma massa salarial robusta e expansão do crédito. Contudo, o Brasil não consegue superar a fragilidade dos investimentos e a disparidade dos preços. Essa é uma questão que vai muito além da geração de empregos”, conclui.