
Segundo ele, foram anunciadas medidas recentes com a promessa de impulsionar este mercado, que no fim se mostraram insuficientes para aquecer a demanda. A principal delas foi a redução do Imposto de Importação destes carros, que agora varia entre zero e 7%. Há ainda iniciativas isoladas em estados ou cidades, como o município de São Paulo, que concedeu isenção de IPVA e do rodízio que restringe a circulação. Outra iniciativa destacada por Guggisberg é a parceria entre CPFL e Graal, que definiu a instalação de dois eletropostos de recarga de carros elétricos em rodovias.
As ações provocaram aumento nas vendas nos últimos anos, mas foram incapazes de elevar os volumes a patamares significativos. Em 2010, quando os híbridos chegaram ao Brasil com o Ford Fusion, foram entregues 40 unidades aos clientes locais. No ano passado, com maior oferta de carros do gênero e incentivos anunciados, foram 846 emplacamentos. Do total negociado no País ao longo destes anos, a maioria é de híbridos, com 2,2 mil unidades.
O QUE FALTA?
Guggisberg alerta que há um caminho longo para percorrer até que os modelos eletrificados ganhem mercado. A infraestrutura é um dos desafios. Na Alemanha, que tem frota de 24 mil veículos zero emissão, são 2,8 mil postos de reabastecimento. Nos Estados Unidos, onde a frota elétrica chega a 275,4 mil unidades, há 21,8 mil estações. A entidade defende a criação de uma política para estruturar o aumento dos números nacionais.
Também falta regulamentação para a venda de energia elétrica como combustível. “Hoje os poucos postos que temos nem chegam a cobrar do cliente, mas não é correto pagar como um uso padrão”, aponta. Ele calcula que o Brasil precisaria que ao menos 30% de seus postos de gasolina hoje no mercado oferecessem estação de recarga elétrica.
Ainda que o Imposto de Importação tenha baixado, a ABVE lembra que o Brasil cobra IPI elevado sobre os carros com propulsão alternativa, que chegam a pagar alíquota de 25% enquanto este porcentual é de 13% para um modelo a gasolina. A entidade defende que o desconto no IPI passe a valer para motocicletas elétricas e para componentes usados na produção de modelos com a tecnologia. “Hoje a tarifa só funciona para autoveículos. Ampliar é uma oportunidade de desenvolver esta cadeia no Brasil”, entende Guggisberg.
