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Giovanna Riato, AB
O ano passado foi de transformação para o mercado automotivo brasileiro. O aumento da renda da população mudou as preferências de consumo de veículos e os importados ganharam força. Estimulado por esse cenário, o mercado interno evidenciou uma mudança que, até então, acontecia lentamente: a pulverização das vendas diante da variedade cada vez maior de marcas.
As quatro maiores montadoras instaladas no Brasil (Fiat, Volkswagen, General Motors e Ford, em ordem de volume de vendas) chegaram a deter mais de 80% dos emplacamentos em passado recente. Em 2010 esse número já havia caído para 73,6%. Ao longo de 2011 todas as quatro registraram quedas de participação nas vendas, perderam significativos 3,62 pontos e viram o market share cair para 70%. Nessa movimentação no topo da tabela, quem mais perdeu espaço entre as quatro primeiras foi a General Motors, que entregou 1,3 pp e ficou com 18,4%. Logo atrás está a Ford, com menos 0,94 pp e 9,17% de participação, e a Fiat, com redução de 0,83 ponto, para 22%. A Volkswagen foi a única das quatro que conseguiu crescimento de volume, ainda que mínimo, de 0,15% no ano, mas seu share também recuou, em 0,56 pp, para 20,4%.
Entre as 10 marcas que mais vendem no Brasil (Fiat, Volkswagen, GM, Ford, Renault, Hyundai, Toyota, Honda, Citroën e Peugeot, nesta ordem), só quatro (Renault +21,2%, Hyundai +8,4%, Citroën +7,1% e VW +0,15%) tiveram crescimento sobre 2010, todas as outras registraram desempenho negativo. Em 2010 as dez marcas mais vendidas concentravam 93,7% dos emplacamentos. O porcentual foi reduzido em 3,9 pontos no ano passado, para 89,8%.
Afetada pelos problemas na matriz japonesa, a Honda viu as vendas despencarem 26,5%, teve perda expressiva de mercado, de 1,09 ponto, e caiu da sexta para a oitava posição no ranking, com 2,7% de share. Já a Toyota perdeu espaço menor, de 0,09 ponto, mas ainda assim ganhou uma posição e ficou em sétimo lugar, com 2,9% do mercado.
A Peugeot também anotou saldo negativo, com redução de 0,2 pp no market share, que passou para 2,51%. A marca trocou de lugar com a parceira Citroën, que teve um pequeno ganho de 0,1 ponto e assumiu a nona posição em vendas, com 2,63%.
Destaques
Enquanto as marcas mais tradicionais tentam se adaptar em um mercado com mais competição, outras montadoras ganham força. Quem mais conseguiu ganhar terreno em 2011 entre as 10 primeiras do ranking foi a Renault, que viu as suas vendas crescerem 21,2% ao longo do ano. A francesa abocanhou 0,8 pp de participação e chega mais perto da Ford, com 5,6% de market share. A Hyundai também conquistou bons resultados, com fatia do mercado 0,17 ponto maior, de 3,3%. Os emplacamentos da marca sul-coreana aceleraram 8,4%.
Já a Kia e a Nissan foram as que registraram os maiores crescimentos nas vendas, com consequente avanço em participação. A primeira ampliou os emplacamentos em 41,7%, para 77,1 mil unidades e abocanhou mais 0,6 ponto de market share, para 2,2%. A Nissan acelerou as vendas em 87,5%, com 67,2 mil veículos, e quase duplicou a participação de mercado, para 1,6%, graças especialmente ao lançamento de carros mais baratos, como o compacto March.

