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Butori e Galeote: diferenças de opinião sobre suprimentos

Paulo Butori, presidente do Sindipeças, confirma a trajetória negativa para a balança comercial de autopeças este ano. O deficit deve chegar a US$ 2,7 bilhões de dólares.
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01 set 2009

2 minutos de leitura

Em debate sobre o comportamento da cadeia de suprimentos durante o simpósio Tendências e Inovação, da SAE Brasil (31 de agosto, em São Paulo), ele reafirmou que os carros comercializados no país carregam 50% de peças estrangeiras.

O dirigente queixou-se do fato das montadoras utilizarem cotações no exterior, especialmente na China, para pressionar os fornecedores locais de autopeças a baixar preços. Vagner Galeote, diretor de compras, defendeu a atuação da Ford, garantiu que é usual avaliar fontes de suprimento em diversos países e explicou que há diversos fatores que podem levar a essa pesquisa: preço, escassez de oferta local e novas tecnologias.

“Não são apenas as montadoras que fazem essa pesquisa internacional. Os próprios fabricantes de autopeças consultam fornecedores internacionais em busca de oportunidade. Muitas vezes são empresas do mesmo grupo” – disse Galeote.

O excesso de desperdício na cadeia de suprimentos foi apontado como um dos fatores que contribuem para diminuir a competitividade das empresas brasileiras, afetadas também pela estrutura tributária, dificuldades logísticas e escala de produção ainda pequena das plataformas automotivas utilizadas na região.

Butori projeta um faturamento de US$ 31,3 bilhões no setor de autopeças, o que representaria uma queda de 20% em relação ao ano passado. Ele pretende realizar esforços junto ao governo na disputa pelos fornecimentos ao mercado argentino, que voltou a exigir licenças não-automáticas para importação de componentes brasileiros.

Letícia Costa, vice-presidente da Booz & Company, ressaltou a importância de evitar redução na nacionalização de autopeças como fator para alavancar a competitividade do setor. “É imperativo preservar a relevância do mercado doméstico do Mercosul e agir como bloco para elevar a escala em relação a outros emergentes” – afirmou. Para ela é indispensável preservar os investimentos na indústria automobilística como forma de assegurar o dinamismo da cadeia de produção.