
Para o dirigente, é indispensável fortalecer a base da cadeia de suprimentos automotivos diante da verdadeira invasão de autopeças importadas. “As empresas locais precisam ganhar competitividade para enfrentar essa situação” – disse.
Butori tem enfatizado a necessidade de oferecer proteção às pequenas e médias empresas, que podem sucumbir diante da desvantagem provocada pelo custo Brasil e pela desvantagem cambial. O Sindipeças projeta um déficit de US$ 3,6 bilhões este ano na balança comercial do setor, mas admite que esse número deve ser reavaliado. Há quem estime um avanço para a casa dos US$ 4,5 bilhões – ou até mais.
O Sindipeças espera uma enxurrada de importações, principalmente na área de metalurgia, no segundo semestre, estimulada em parte pelo reajuste dos preços do aço. Desde 1º de abril o preço da matéria-prima subiu 12% na rede distribuidora. A entidade defende a revogação de um desconto de 40% nas alíquotas de importação para componentes automotivos, que beneficia as montadoras.
Butori explicou durante o Fórum da Indústria Automobilística, promovido por Automotive Business, que câmbio e alíquota de importação estão facilitando a entrada de produtos de outros países e têm papel relevante para o crescente déficit do setor. “Há ainda excesso de capacidade lá fora. Algumas empresas deixam de produzir um ou outro componente aqui e passam a importar.”
Paulo Bedran, diretor do Departamento de Indústrias de Equipamentos de Transportes, da Secretaria de Desenvolvimento da Produção do MDIC, admitiu que o governo está preocupado com a situação da balança comercial de autopeças e informou que há estudos para identificar as causas efetivas da falta de competitividade e propor soluções.
Foto: Paulo Butori, presidente do Sindipeças/divulgação.