De um lado, a BYD, chinesa, que nasceu como uma empresa produtora de baterias e que se tornou ao longo de 25 anos uma das referências globais em soluções de energia limpa, fabricando não apenas veículos elétricos, mas outros produtos, como células de combustível, incluindo as de grande porte, além de conjuntos propulsores para veículos elétricos, como baterias e motores. Em 2008, a BYD se tornou a primeira empresa do mundo a produzir veículos elétricos híbridos plug-in em massa.
Por sua vez, a Toyota também possui know-how no segmento: em 1997, tornou-se a primeira empresa no mundo a lançar um híbrido eletrificado de produção em massa, o Prius. No entanto, a empresa japonesa sempre relutou em desenvolver modelos puramente elétricos a bateria porque entendia que faltava autonomia para tornar esses veículos viáveis. Por isso, seu discurso – e portfólio – dos últimos anos reflete uma aposta em híbridos como solução intermediária, um tipo de ponte, até viabilizar economicamente as células de combustível a hidrogênio para ter um carro elétrico de emissão zero com autonomia parecida aos motores a combustão. Agora, a montadora se rende ao inevitável, uma vez que o mundo todo opta pelos elétricos a bateria para reduzir emissões.
Com o aumento da capacidade das baterias e redução do custo delas, uma vez que sua produção começa a ganhar escala considerável – área que a BYD domina – a Toyota prova que mudar de ideia faz parte do jogo.
Conter o aquecimento global é um dos principais fatores que movem as empresas – e os governos – a exigirem veículos cada vez menos poluentes, com reduções significativas de CO2. No entanto, sinergias sempre são citadas como forma de sustentar um negócio caro e que ainda não paga as próprias contas, embora a Toyota e a BYD não tenham detalhado como se dará o acordo, incluindo se a produção será somente na China ou também fora dela.
“Para atingir esses objetivos, ambas as empresas acreditam que é necessário deixar de lado sua rivalidade e colaborar; portanto, as duas empresas concordaram em desenvolver conjuntamente veículos elétricos a bateria”, diz o comunicado.