
Foram reduzidas as opções de localidades para abrigar a futura produção de veículos elétricos da BYD. Segundo a montadora chinesa, todas suas atenções estão voltadas para transformar o acordo que mantém com o governo da Bahia, o qual envolve a fábrica da Ford em Camaçari, em algo efetivo. Produzir em Campo Largo (PR), portanto, foi descartado pela companhia.
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À Automotive Business, a montadora informou na sexta-feira, 3, que a visita realizada ao governo do Paraná em janeiro foi uma cortesia, que de fato houve uma consulta técnica com a Stellantis, dona da unidade, mas que hoje o foco está “em produzir veículos e beneficiar lítio [uma das matérias-primas de baterias veiculares] apenas na Bahia”.
A montadora afirmou, ainda, que seu projeto de produção para o país envolve três fábricas na Bahia: uma para produzir automóveis híbridos e elétricos, outra que envolva a montagem de chassis de caminhões e ônibus, também equipados com powertrain eletrificado, e uma terceira unidade de beneficiamento do lítio. O investimento necessário seria de R$ 3 bilhões, segundo o memorando assinado.
Por meio de nota, o governo do Paraná informou que “vai continuar em tratativas com a BYD, uma vez que a multinacional chinesa pode instalar no Brasil outras unidades fabris, já que possui uma extensa lista de produtos que vai além dos carros elétricos”.
O negócio envolvendo a fábrica desativada da Ford, no entanto, ainda é algo que está tramitando. A BYD disse à reportagem que ainda não tem nenhum acordo fechado com a montadora norte-americana. Procurada pela reportagem, a Ford, por sua vez, informou que não vai comentar o assunto por enquanto.
Dentre esses itens que estão à mesa de negociações está a ampliação de uma linha férrea existente para atender às demandas da montadora e, também, eventuais pagamentos à Ford.
O presidente do sindicato dos metalúrgicos de Camaçari, Julio Bonfim, contou que a Ford poderia pleitear uma espécie de ressarcimento por melhorias feitas na unidade que, vale lembrar, é integrante de um pacote de concessões feitas pelo governo do estado em 2002, quando foi inaugurada para iniciar o Projeto Amazon, que envolvia a produção do EcoSport.
A BYD se instalaria no local nos mesmos moldes da Ford, por meio de concessão estadual. Haveria, portanto, a necessidade de uma readequação da unidade para que ali seja realizada a produção de veículos elétricos, como a instalação de novos prédios e, eventualmente, uma preparação do terreno para a chegada de fornecedores.
De acordo com o presidente do sindicato, as contratações devem priorizar ex-funcionários da Ford Camaçari, considerando a experiência que acumulam em linha de produção.
Até a divulgação da assinatura do acordo de intenções, BYD e o governo da Bahia já mantinham relacionamento próximo: afora lotes de ônibus elétricos da marca comprados pelo estado, representantes do estado haviam visitado as instalações da montadora em São Paulo.
Esta unidade, aliás, voltaria a operar apenas com a produção de componentes para o segmento de energia, com a área automotiva migrando para futuras instalações no nordeste do país.
