
Na visão de Bruno Neri, gerente da qualidade corporativa da Bosch, as empresas instaladas no Brasil têm boa capacidade para exportar, porém, a competição deixou de ficar apenas no mercado internacional e chegou ao País. “Temos forte concorrência de fora daqui no mercado nacional, com empresas que também oferecem alta qualidade”, explica. Para enfrentar este novo cenário, os incentivos à cadeia de fornecedores de cada companhia se mostram essenciais. “O sucesso de uma empresa está completamente ligado ao desenvolvimento de sua rede de fornecedores”, opina Leandro Siqueira, diretor da qualidade da MAN Latin America.
A fabricante de caminhões e ônibus defende a atuação conjunta das montadoras com universidades, governo e parceiros para garantir alta qualidade e o desenvolvimento das melhores soluções para os clientes. “Para as pequenas e médias empresas, que estão em situação mais complicada, o desafio está em como dar o primeiro passo em busca de recuperação e atualização”, explica Siqueira, que defende que as montadoras e sistemistas atuem nessa etapa para fortalecer os elos da cadeia produtiva.
Com a mesma sensação de que há deficiências nos fornecedores da indústria nacional, a Fiat Chrysler destaca uma série de iniciativas para amenizar isto. “Já oferecemos mais de 2 mil treinamentos para funcionários dos nossos fornecedores, incluindo cursos técnicos, universitários e de pós-graduação”, revela Cristiane Paixão, diretora da qualidade na companhia. Ela conta ainda que, ao mesmo tempo em que aplica o sistema de produção World Class Manufactoring (WCM) em suas linhas de montagem no Brasil, a companhia dissemina esta filosofia entre seus parceiros. “Temos mais de 70 fornecedores envolvidos no que chamamos de WCM light, que eles implementam nas fábricas deles.”
A Bosch tem um amplo programa para estimular o avanço dos fornecedores. Neri destaca que um dos aspectos importante é identificar competências e lideranças nas empresas da cadeia produtiva e ajudar a desenvolvê-las. “Isso é fundamental para que as melhorias que fazemos sejam perenes”, avalia.
