
Giulianno Ampudia, diretor de compras da Bosch, enfatiza que a empresa desenvolve trabalho de apoio aos parceiros, que deve trazer a 25 fornecedores melhorias em gestão e produtividade. “O cenário é difícil para 2015 e 2016, mas precisamos nos preparar para as oportunidades. Elas vão aparecer. Nossa cadeia precisa estar saudável”, destaca. O executivo admite que a meta é ajudar as empresas a fazer a dura travessia do período difícil, fugindo do risco de quebrar. “Vemos que, com um trabalho bem feito, é possível trazer ganhos importantes de produtividade para as nossas parceiras.”
Erodes Berbetz, responsável pelas compras da Mercedes-Benz, concorda: “É preciso ter calma para conduzir os negócios nesse período. Não podemos esquecer que no futuro teremos lançamentos e os nossos fornecedores precisam estar fortes para nos atender.” Ele destaca que a desvalorização do real abre oportunidade importante de exportar componentes. “Temos trabalhado com os nossos parceiros para incentivar isso. A relação cambial hoje representa oportunidade de redução de custos para fábricas na Europa e nos Estados Unidos”, aponta, ressaltando que, neste momento, os produtos brasileiros podem competir com componentes feitos na Índia ou na China.
O executivo enfatiza, no entanto, que é necessário batalhar para garantir estabilidade deste patamar no médio prazo. Afinal, não é sustentável firmar contratos de fornecimento internacional se o dólar voltar a cair em breve. “Além disso, as empresas precisam atender aos padrões internacionais de qualidade.”
LOCALIZAÇÃO
O momento desafiador no Brasil também estimula a localização da produção de componentes. “É impossível sobreviver importando tudo o que importamos hoje”, revela Berbetz. Segundo ele, o conteúdo local dos produtos da Mercedes-Benz é elevado, mas é preciso nacionalizar ainda mais para que a empresa esteja blindada da escalada do dólar.
Roger Dias, responsável pelas compras da Fiat Chrysler Automobiles (FCA), defende que o empenho em localizar a produção deve ser constante, não apenas uma resposta ao patamar cambial. Segundo ele, a Fiat Automóveis tem entre 85% e 90% de conteúdo nacional nos carros fabricados em Betim (MG). Já a Jeep em Goiana (PE), que começou a operar em abril deste ano, já alcança localização entre 70% e 75%. “Queremos aumentar este porcentual. É algo estratégico para nós”, determina.
Ele admite, no entanto, que o aumento da presença de peças e componentes brasileiros não acontece sem desafio. “Sempre esbarramos na capacidade dos nossos fornecedores de investir para produzir localmente.” De qualquer forma, ao trabalhar em parceria com a sua cadeia produtiva, a FCA pretende dar conta de cumprir a agenda e lançar 12 carros nos próximos três anos. “Vamos garantir que os nossos fornecedores tenham o volume que eles precisam”, promete Dias.
