
Reportagem atualizada em 17/12/2018, às 10h15.
Um teste feito com cadeirinhas infantis pela associação de consumidores Proteste e o Latin NCap encontrou problemas com produtos
à venda no Brasil. As cadeiras chamadas multigrupos (para crianças entre 9 e 36 quilos) obtiveram os piores resultados.
Em regra elas sobrecarregam a região do pescoço e permitem o deslocamento das crianças para a frente durante colisões, aumentando o risco de que elas batam no banco da frente. Segundo a avaliação, o desempenho dos produtos foi preocupante no teste de impacto frontal a 64 km/h, demonstrando que numa situação real a cadeira não protegeria a criança de lesões graves na cabeça, pescoço, face e coluna.
Os ensaios foram realizados com bonecos simulando altura e peso de crianças reais de acordo com cada grupo de cadeiras. O veículo empregado nos testes foi o Volkswagen Golf. De acordo com o estudo, o modelo da marca Kiddo Max Plus teve o cinto de segurança rompido na configuração bebê-conforto e a parte do colo do cinto afundou no abdômen do boneco preso ao cinto de segurança do carro, voltado para o banco do motorista. Conhecido como efeito submarino, esse fenômeno pode causar ferimentos graves.
O modelo Maxi Cosi Milofix obteve bom resultado, mas provocou esforços na região do pescoço. A cadeirinha se adapta aos diversos tipos de fixação e ancoragem mas só pode ser utilizada em carros citados em uma lista de veículos que vêm com o produto. O ponto negativo é que se trata, em grande parte, de automóveis europeus, não disponíveis no Brasil. Essa falta de clareza obriga o consumidor a ter de contatar o fabricante.
No que se refere à colisão frontal, uma boa constatação é que as cadeirinhas do grupo 0+, até 13 kg, alcançaram bons resultados. Isso mostra que artigos voltados para grupos específicos tendem a oferecer mais proteção do que as cadeirinhas evolutivas, que podem ser utilizadas de recém-nascidos a 36 kg.
Outra falha séria, e o ponto recorrente mais fraco desses dispositivos, é a falta de segurança no impacto lateral em razão de os apoios laterais não serem suficientemente dimensionados para preservar a região da cabeça da criança. Nenhum modelo foi considerado completamente seguro. Seria um ponto carente de regulamentação, segundo a Proteste.
MELHOR DO TESTE
Dos bebês-conforto, o modelo Chicco Key Fit foi o melhor do teste por apresentar os resultados mais adequados em segurança e facilidade de instalação. Os modelos Burigotto Touring Evolution 3042 e Lenox Cozycot receberam o título Escolha Certa pelo bom custo-benefício.
Entre as cadeirinhas multigrupos, a Maxi Cosi Milofix foi a mais bem avaliada e a Cosco Auto Envolve foi eleita a Escolha Certa, também pelo custo-benefício. A Proteste levou os resultados ao Inmetro e à Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), pedindo medidas para o modelo cujo cinto rompeu e apresentou o problema potencialmente grave do efeito submarino.
Direito de resposta concedido à Kiddo:
“No que se refere a dois de nossos produtos, Lenox Cozycot e Kiddo Max Plus, recebemos as observações como contribuições à nossa empresa e um estímulo na busca de melhorias constantes para a proteção das crianças.
Nossos produtos estão testados e aprovados pelo sistema estabelecido pelo
Inmetro, com base na norma brasileira NBR 14.400, por laboratório
acreditado, e estão no mercado há mais de sete anos. Não temos em nosso
Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) registro de consumidores com queixas relativas a não conformidades de segurança dos mesmos. Alguns dos testes citados não integram as
normativas brasileiras, o que pode induzir a conclusões impróprias, mas as
tomaremos como melhorias a serem introduzidas na norma acima.
Como integrantes da Comissão do CB 05 – ABNT, sob gestão do Sindipeças,
que trata o tema DRC, defenderemos debates técnicos com base nas várias
contribuições elencadas em ofício recebido, que também foi dirigido a outras
empresas e órgãos”, informou a Kiddo.