
A Le Cordon Bleu, uma das escolas de culinária mais famosas do mundo, foi palco de um encontro relevante para o ecossistema automotivo e de mobilidade: o Café com CEOs. Organizado pela Automotive Business, o evento reuniu cerca de 30 lideranças do setor na sexta-feira, 2, em São Paulo. O objetivo foi abordar o papel das lideranças na promoção da diversidade e inclusão, além de debater a pauta no segmento como um todo.
O evento teve início com Paula Braga, CEO da Automotive Business, dando as boas-vindas aos participantes. Em seguida, Guilherme Bara, da MAC Diversidade, abriu a série de discussões com o tema “Como criar governança e gerar legado em um tema com tantas subjetividades”.
O consultor enfatizou a importância de estabelecer regras claras e objetivas para a diversidade e inclusão dentro das empresas, destacando a necessidade de desvincular a questão de crenças pessoais e focar em um código de ética sólido. “O tema tem crescido, mas de modo, digamos, inchado. Não está indo na melhor direção”, afirmou Bara.
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Ele explicou ainda que o papel da alta liderança não é ser “militante”, mas sim de estabelecer diretrizes claras que permitam gerar um legado duradouro.
“Quando falamos em crença, qual é a que prevalece na sua organização em diversidade e inclusão? Quem decide é você, o ou a CEO? A líder de diversidade? A estagiária? A pessoa que tem a história mais triste? É por isso que temos de ter objetividade e também deixar crenças de lado para obter melhores resultados”, completou.
Vanessa Reis, diretora executiva do Great Place to Work (GPTW), também foi uma das palestrantes do encontro, e destacou a importância de não desconectar o tema da liderança. Além disso, enfatizou que tal desconexão acaba fazendo com que ocorra um processo de desunião das pessoas de grupos diversos, um descolamento destas do restante da companhia.
“O marcador social não pode ser determinante. Liderar pessoas é liderar pessoas e ponto. Independentemente de como elas são. Quando você melhora o ambiente para todas as pessoas, você melhora a experiência do colaborador, do indivíduo”, comentou.
Café com CEOs: A relevância das metas para a diversidade
Na sequência, Giovanna Riato, editora-chefe da Automotive Business, divulgou os principais números da quarta edição da pesquisa Diversidade no Setor Automotivo, trabalho pioneiro que mostra como as empresas do segmento trabalham o tema e como a representatividade evolui na indústria. A apresentação teve a participação de Guilherme Bara e insights dos CEOs acerca dos dados.
O debate trouxe à tona questões como a necessidade de orientar a média liderança, além de discutir a relevância, ou não, de metas para a promoção do tópico.
“Na Dow a diversidade é uma meta. Atrelamos o pagamento variável, isso em âmbito global, de todos os funcionários à diversidade. Isso mostra nosso compromisso real com a transformação”, disse Leonardo Censoni, diretor comercial da empresa de ciências de materiais.
Já no caso da Volkswagen do Brasil, a empresa “dobrou a quantidade de mulheres na liderança”. “Agora estabelecemos metas claras. Se você tem processos desfavoráveis, não consegue avançar. Hoje temos metas e indicadores. Atualmente, 44% das contratações executivas são de mulheres e outros públicos diversos”, explicou Douglas Pereira, vice-presidente de recursos humanos da montadora de origem alemã.
Adriano Rishi, presidente da Cummins, e Marcelo Moraes, vice-presidente da Lear para a América do Sul, disseram que suas companhias têm abordagens distintas das supracitadas.
“Nossa aspiração é que nossa organização represente a comunidade onde estamos inseridos”, comentou Rishi. “Temos conversas constantes sobre metas, mas ainda não as estabelecemos formalmente. Entendemos que tem de estar no estatuto da empresa, mas no nosso caso, particularmente, ainda há uma dificuldade em separar o CPF do CNPJ”, salientou Moraes.
Carlos Delich, presidente da ZF para a América do Sul, apontou: “Para a nossa empresa, o mais importante é mostrar que a diversidade funciona. Temos que ser bem-sucedidos economicamente para melhorar a vida de todos os stakeholders, e isso passa pela representatividade, por termos grupos distintos na companhia”. Ricardo Gondo, presidente da Renault Brasil, lembrou que a empresa se empenha há muitos anos na promoção da diversidade e da inclusão, com grandes resultados. Ainda assim, segundo ele, sempre há caminhos para aprender e evoluir no tema.
Lucilene Carvalho, gerente de Sustentabilidade e ESG do Iveco Group, também compartilhou experiências de sua empresa acerca do tópico. “Adotamos uma meta de mulheres em cargos de liderança e este foi nosso ponto de virada. Atingimos essa meta em dois anos e resolvemos incluir novos objetivos para colocar mulheres em outros postos juntamente com programas de desenvolvimento e treinamento de vieses inconscientes para liderança, o que nos trouxe um desenvolvimento mais eficaz”, declarou.
Por fim, Guilherme Bara pontuou o quão importante é a empresa ter dados reais para estabelecer metas viáveis e não apenas idealizar a questão da diversidade. “Não se pode apenas romantizar. A companhia tem de ter indicadores adequados que falem com a qualidade do ambiente. Além disso, a liderança tem que entender que não só basta fazer um discurso bonito em datas específicas. Ela tem de se comprometer com o tema e acompanhá-lo frequentemente”, ressaltou o consultor.
ESG em eventos do setor automotivo
Por fim, o Café com CEOs também abordou o ESG em eventos do ecossistema automotivo e da mobilidade. Andreia Chiarato, diretora comercial e de marketing do Grupo R1, destacou a importância de integrar práticas de sustentabilidade e governança socialmente responsável nos eventos e nas operações diárias das empresas.
“Falar de ESG não é mais opcional, é uma necessidade. Precisamos incorporar essas práticas em todos os aspectos de nossas operações”, afirmou. Vale frisar que o Grupo R1 é parceiro da Automotive Business não apenas em eventos como o Café com CEOs, mas também na concepção do #ABX24.
A edição 2023 do Automotive Business Experience, por exemplo, já teve trabalho de cenografia da Tes, empresa do Grupo R1. Desse modo, o encontro de negócios mais influente do setor automotivo e da mobilidade obteve excelentes indicadores de gestão de resíduos.