
Diante de protestos de moradores, autoridades e ativistas, que chegaram até a criar um movimento nas redes sociais para paralisação dos robotáxis na cidade de São Francisco, na Califórnia (EUA), a Comissão de Serviços Públicos da Califórnia (CPUC) reagendou para 10 de agosto a audiência que poderia aprovar as expansões de licença de funcionamento de robotáxis.
A votação, que ocorreria na quinta-feira, 13 de julho, poderia liberar a utilização desse serviço 24 horas por dia, de segunda a domingo, como ocorre com Uber e outros aplicativos de transporte.
Operadoras de robotáxi na Califórnia se posicionam
Em São Francisco, por exemplo, as licenças têm restrições de área de atuação e de horário, como das 10 às 18 horas. Cruise e Waymo, operadoras do serviço de robotáxi, posicionaram-se a respeito em jornais e pela internet, como parte de um esforço antes da votação no próximo mês.
A Cruise publicou no dia 13 de julho anúncios de página inteira em jornais como “San Francisco Chronicle”, “The New York Times”, “Los Angeles Times” e “Sacramento Bee” com a seguinte manchete: “Humanos são péssimos motoristas”. Na publicidade também se lê: “Você pode ser um bom motorista, mas muitos de nós não são.”
LEIA MAIS:
– EUA investiga carros autônomos da GM
– Táxi autônomo da Waymo surpreende policial nos EUA
A Waymo publicou uma postagem semelhante em seu blog na terça-feira, 11. A empresa, de propriedade da Alphabet, usou seus robotáxis para analisar o comportamento de outros carros em São Francisco e Phoenix (Arizona) durante dez dias. Segundo o levantamento, os motoristas excedem os limites de velocidade em boa parte do tempo e, em muitos casos, trafegam 40 km/h acima do limite permitido.
A Waymo citou também dados Administração Nacional de Segurança no Tráfego das Rodovias (NHTSA), que mostraram que, em 2020, o excesso de velocidade representou um terço de todas as mortes no trânsito nos Estados Unidos.
A culpa humana
A estratégia de culpar motoristas humanos como a origem real dos problemas de trânsito tenta conquistar a opinião pública no momento em que moradores, ativistas e órgãos públicos da cidade, como a Autoridade de Transporte Municipal de São Francisco (SFMTA), reclamam que o mau funcionamento dos robotáxis piora os congestionamentos, a circulação do transporte público e das equipes de emergência.
– Faça a sua inscrição no #ABX23 – Automotive Business Experience
Os argumentos utilizados por Cruise e Waymo sobre os motoristas humanos não são falsos, mas isso não significa que os robotáxis e autônomos sejam a solução. E defensores da segurança nas ruas argumentam ainda que as cidades deveriam promover mais o transporte público e a micromobilidade em vez de soluções tecnológicas como os táxis autônomos.
Autônomos terão novo programa nos EUA
Em algumas semanas, a NHTSA deve soltar novas regulamentações para veículos autônomos dentro dos Estados Unidos. Um novo programa intitulado AV Step poderá ampliar a quantidade desses veículos e também facilitar a entrada de novos participantes no segmento. Como o Origin, modelo sem os comandos tradicionais para o motorista e que a General Motors pretende produzir em grande escala.
A Aliança para Inovação Automotiva, principal entidade de lobby em favor das montadoras, comemora a criação do AV Step como “uma importante conquista no desenvolvimento de políticas de inovação”.