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Câmbios manuais automatizados: difíceis de engrenar nas vendas

Os câmbios automatizados, que usam a transmissão manual convencional acoplado a um sistema robotizado de trocas de marchas, começaram a ser usados no Brasil no fim de 2007, primeiro pela GM Chevrolet no monovolume Meriva, logo depois pela Fiat no Stilo. O modelo Chevrolet usava o sistema que chamou de Easytronic, fabricado pela Schaeffler, enquanto a Fiat optou pelo Dualogic, fornecido por sua afiliada, a Magneti Marelli. A Volkswagen seguiu a tendência e lançou, em 2009, o Polo iMotion, que também usa o sistema da Magneti Marelli. Apesar de já completar seis anos no mercado, as vendas de carros equipados com câmbios automatizados ainda estão baixas no Brasil.
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Redação AB

11 out 2013

3 minutos de leitura

A Fiat estendeu a aplicação para o Bravo, Linea, Novo Palio, Grand Siena, Idea, Weekend, Strada Adventure e Punto, mas mesmo assim, este ano, o total de veículos produzidos em Betim (MG) com o câmbio Dualogic não deve ser muito mais que 7% da produção total. Já para modelos mais caros, como Bravo e Linea, o Dualogic está presente em quase 60% das vendas. Na parte de entrada do portfólio da marca, Palio Fire, Novo Uno e Mille não têm a opção automatizada disponível.

No caso da Volkswagen, a aplicação foi estendida para Fox, CrossFox, SpaceFox, Polo, Gol e Voyage. Porém, este ano o total de carros iMotion não deve exceder a 3% do total de veículos produzidos. A General Motors, depois do término da produção da Meriva, optou por colocar o sistema da Magneti Marelli somente no Agile Easytronic.

Essas três montadoras permaneceram as únicas a oferecer os câmbios automatizados no mercado brasileiro, enquanto outras como Citroën, Peugeot, Ford, Renault e Hyundai, entre outras, optaram pelos câmbios automáticos tradicionais. Mais recentemente, outras introduziram modelos com transmissão automatizada com dupla embreagem, como a Ford. Mesmo a General Motors optou pelo automático de seis velocidades na família que veículos que usa a plataforma GSV, como Cobalt, Spin, Onix e Prisma.

Apesar dos câmbios automatizados terem sido aprimorados nos últimos anos – principalmente quanto à maior crítica sobre eles, os “soluços” nas trocas de marchas –, a tendência está bem clara em usar câmbios automatizados de dupla embreagem, chamado de PowerShift pela Ford e DSG pela VW, bem mais rápidos e precisos em relação ao robotizado simples. Também é nítida a preferência por transmissões automáticas com mais que quatro marchas. Quanto aos automáticos CVT, de marchas infinitas, que já foram usados aqui no passado no Honda Fit entre 2003 e 2008, há interesse da Nissan em introduzir o sistema em seus carros e talvez da própria Honda para o novo Fit, planejado para abril 2014. Outras montadoras não parecem estar muito interessadas no CVT, provavelmente pelo custo mais elevado.

O cambio manual automatizado teve como principal argumento de vendas a oferta de conforto por um preço menor em comparação com os automáticos tradicionais. Mas esse já não é um argumento tão forte, visto que o preço adicional varia de R$ 2.200 para o Chevrolet Agile Easytronic, até R$ 2.780 para o VW CrossFox iMotion, enquanto a Peugeot cobra R$ 3.300 a mais no seu modelo 208 para incorporar a transmissão automática tradicional de quatro velocidades; e na Ford paga-se R$ 3.650 extras para colocar o PowerShift (automatizado de dupla embreagem com seis velocidades) no New Fiesta Hatch brasileiro.

No caso do New Fiesta, as vendas da opção PowerShift surpreenderam a própria montadora e já representam em torno de 20% dos hatches vendidos, evidenciando o interesse dos consumidores nas novas tecnologias e a dificuldade do câmbio manual automatizado em engrenar nas vendas.