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Se antes o modelo era visto como algo tipicamente nacional – considerando o empenho da engenharia local e o perfil agrário do país –, hoje é possível observar grandes possibilidades de aplicação em mercados que, até recentemente, estabeleceram a eletrificação como a solução ideal para descarbonizar as frotas.
Esse é o caso da Europa, que passou a adotar o discurso de que, pelo menos no curto prazo, a forma de diminuir as emissões de CO² sem gastar muito, e sem sobrecarregar o consumidor, seria apostar em um mix de motores ecológicos.
Além dessa mudança de mentalidade, há outro fator que levou o caminhão a gás a ser considerado uma alternativa viável para despoluir a Europa, como explica o presidente da Scania na América Latina, Christopher Podgorski.
“Existem questões energéticas importantes na Europa. Ainda falta estrutura de recarga para caminhões, esse é um ponto”, disse o executivo na segunda-feira, 16.

“O outro tem a ver com a vontade dos países europeus de diminuírem a dependência do gás russo, que virou um problema depois da guerra com a Ucrânia. O biometano é algo que pode ser produzido dentro do bloco, e por isso o caminhão a gás ganha mais destaque no debate das emissões”, completou.
A montadora expôs um modelo em seu estande na feira, e sua aptidão para operações em longas distâncias, com um custo próximo ao do diesel, foi mencionada no discurso do CEO global da montadora sueca, Christian Levin, durante apresentação realizada no evento.
“Os clientes agora podem escolher opções mais ecológicas sem afetar negativamente as operações normais, preparando o terreno para um futuro de transporte livre de combustíveis fósseis”, comentou o executivo.
Não apenas a Scania apresentou algo relacionado ao biocombustível na feira. A compatriota Volvo também exibiu um modelo pesado movido a gás em seu estande – que também tinha um forte apelo à eletrificação – e a FPT, fabricante de motores, mostrou em seu espaço conjuntos movidos por biogás.
Scania e Iveco militam pelo caminhão a gás no Brasil
Scania e Iveco, aliás, seguem no Brasil como as únicas fabricantes que apostam no caminhão a gás como alternativa verde para o transporte de longas distâncias. O esforço ao longo dos últimos anos, que enfrentou a desconfiança do mercado e do setor público, gerou resultados.
O caminhão a gás ainda está longe de rivalizar com seu par a diesel em termos de custo operacional, mas já deixou de ser algo raro nas estradas. Há promessas de construção de corredores de abastecimento no Brasil, bem como o aumento da oferta do combustível nas usinas, o que deve viabilizar a introdução de mais modelos no mercado.
As fabricantes também conseguiram aumentar a autonomia desses caminhões, algo que os torna mais atrativos aos olhos dos frotistas atentos à agenda de descarbonização. Com o que está sendo mostrado na feira de Hannover, é possível esperar que o caminhão a gás ganhe espaço também no Velho Continente.
