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Caminhões e ônibus consomem menos de um quarto dos incentivos do governo

Nova portaria publicada esta semana pretende desenrolar processo de escrapeamento de veículos antigos
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Mario Curcio

07 jul 2023

3 minutos de leitura

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Embora os incentivos do governo para a venda de automóveis até R$ 120 mil tenham se esgotado na primeira semana de julho, o dinheiro destinado  para caminhões e ônibus consumiu apenas R$ 240 milhões do total de R$ 1 bilhão colocado à disposição a partir da Medida Provisória (MP) 1.175, publicada há um mês.

A informação foi dada pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, que participou da entrevista coletiva mensal organizada na sexta-feira, 7, pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). “Para os caminhões foram destinados R$ 100 milhões e para os ônibus, R$ 140 milhões”, detalha Alckmin. A MP foi publicada em 6 de junho e tem validade de quatro meses.


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Esses créditos farão andar o Renovar, programa para renovação de frota de veículos pesados, que pretende retirar de circulação caminhões e ônibus com mais de 20 anos. Ainda de acordo Alckmin, uma nova portaria publicada neste início de julho vai agilizar o processo de retirada dos veículos antigos porque o beneficiado pelo incentivo (que vai de R$ 33 mil a R$ 99 mil) não precisará ser o dono original do caminhão ou ônibus velho. Ele pode ter comprado de outra pessoa, desde que o entregue para o escrapeamento.

O vice-presidente da Anfavea, Gustavo Bonini, comenta a participação das montadoras: “Esses valores mencionados por Geraldo Alckmin [R$ 100 milhões para caminhões e R$ 140 milhões, ônibus] mostram aí o interesse e o apetite das montadoras na participação do programa. A portaria definiu o detalhamento sobre como levar o veículo velho para destruição, como dar baixa e como conectar essa baixa ao crédito concedido na venda do veículo novo. Com esses créditos que já estão com as montadoras, será preciso aguardar os próximos dias para ver como o mercado vai reagir”, diz Bonini. 

Produção de 2022 domina emplacamentos de caminhões no semestre

Por causa da antecipação de compras ocorrida no ano passado para fugir dos reajustes dos modelos Euro 6, a maior parte dos caminhões e ônibus emplacados no primeiro semestre foi fabricada em 2022, segundo dados da Anfavea. Do total de 55,5 mil caminhões zero-quilômetro licenciados, 40,5 mil eram Euro 5 (77,2%).

Para os ônibus, a proporção de unidades 2022 foi ainda maior. Dos 11,3 mil veículos emplacados, 10 mil tinha chassi feito em 2022, o equivalente a 88,7%. “Os ônibus têm um leadtime maior que o dos caminhões por causa do tempo necessário para o encarroçamento”, recorda Bonini.

Caminhões recuam, ônibus sobem

A antecipação de compras ocorrida em 2022 resultou em queda na venda de caminhões. Se na primeira metade do ano passado já havia 57,6 mil unidades zero-quilômetro emplacadas, as 52,5 mil deste ano resultaram em queda de quase 9%. A maior retração (-22,1%) ocorreu para os modelos médios, com Peso Bruto Total (PBT) de 10 a 15 toneladas. Os ônibus, no entanto, anotaram crescimento de 55% sobre a primeira metade de 2022, com 11,3 mil unidades emplacadas.