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Redação AB
Mercedes-Benz e MAN, fabricantes de caminhões e ônibus, já estão prontas para atender a legislação de emissões relativa aos padrões P7 do Proconve, equivalente a Euro 5. Rodrigo Chaves, gerente executivo de engenharia da MAN, disse a Automotive Business estar confiante na oferta de diesel S50 e de Arla 32 (ureia) para o bom funcionamento dos motores que vão utilizar novos sistemas de pós-tratamento de gases.
“Os propulsores atuais são razoavelmente tolerantes à presença de contaminantes no diesel, ao contrário de tecnologias Euro 5 que estarão sendo utilizadas a partir de janeiro em veículos pesados novos vendidos no País”, afirmou o executivo.
A disponibilidade dos dois produtos ainda causa apreensão no setor de caminhões e ônibus, que acelera para afinar o powertrain dos veículos visando à comercialização a partir de janeiro. Por precaução, os fabricantes de motores Euro 5 estão avaliando o desempenho dos equipamentos também com diesel S1800, com até 1.800 ppm de enxofre (partículas por milhão), encontrado atualmente nos postos de abastecimento. A Petrobras assumiu compromisso de oferecer S50 como alternativa de suprimento em 2012 e S10 a partir de 2012.
Gilberto Leal, gerente de engenharia encarregado do desenvolvimento de motores da Mercedes-Benz, confirma que os propulsores vão receber o mesmo nível de garantia oferecido às famílias Euro 3. Ele reitera, também, que o sistema de pós-tratamento de gases é sensível à presença de excesso de poluentes no diesel, perdendo parcela de sua vida útil se o combustível for de má qualidade. O uso de diesel inferior poderá ser detectado pela deterioração dos sistemas de injeção e em catalisadores do escapamento de gases.
Os dois executivos participaram de um painel de debates durante o simpósio Novas Tecnologias na Indústria Automobilística, dia 28 de março em São Paulo, promovido pela SAE Brasil e organizado por Automotive Business. Na ocasião advertiram para a necessidade também de se trabalhar em um programa de renovação de frota, já que o estado dos caminhões em circulação é sofrível do ponto de vista de segurança e meio ambiente.
“Enquanto não chegam incentivos para que isso aconteça, seria conveniente assegurar o suprimento de diesel de boa qualidade aos postos. Essa providência já representaria significativa redução no nível de poluentes emitidos na atmosfera das grandes metrópoles”, enfatizou.
A Mercedes-Benz vem testando o emprego de diesel de cana em veículos comerciais. Nos testes realizados em laboratório e também em ônibus da Viação Santa Brígida, em São Paulo, os resultados obtidos indicam significativa redução de emissões de poluentes. O diesel de cana é produzido ainda em escala piloto, mas a Amyris, responsável pela tecnologia, está construindo unidades para produção do combustível verde no interior de São Paulo.