A queda acentuada nas vendas de caminhões no primeiro trimestre do ano já teve seus primeiros reflexos na Meritor, um dos principais fornecedores de eixos e sistemas de drivertrain para veículos pesados na América do Sul. Segundo o diretor de vendas e marketing, José Manoel Fernandes, a retração do mercado nacional e o crescimento dos negócios da empresa nos Estados Unidos farão com que o Brasil perca parte de sua representatividade nas operações globais da companhia.
“Isso é inevitável, mas acredito que teremos uma retomada no segundo semestre com a entrada do Finame reduzido a partir de junho. Com isso, nossa participação no faturamento global deverá ficar na casa dos 11%”, projeta Fernandes. Apesar do otimismo com a nova taxa do Finame, que desce de 10% para 7,7%, o executivo acredita que o mercado fechará o ano com queda de 15%. “Não adianta apenas baixar os juros. É necessário facilitar a aprovação do crédito e o governo precisa criar mecanismos para isso. Caso contrário, o panorama pode ser ainda pior.”
Mesmo com tantas dificuldades, Fernandes estima que o faturamento da empresa na América do Sul neste ano deverá ser satisfatório, na casa dos US$ 600 milhões. “As exportações ajudarão a equilibrar as contas.” De acordo com ele, o crescimento nas operações internacionais deverá ser de 3 pontos porcentuais, passando de 15% para 18%.
Na visão do executivo, a retomada das operações na América do Sul só será possível com grandes investimentos. Incentivos como o do novo regime automotivo não devem ser considerados como a principal salvação. “Injetaremos US$ 32 milhões na região para o desenvolvimento de uma plataforma global de produtos. Somente dessa forma conseguiremos reverter a situação.”