
O desempenho abaixo da expectativa no primeiro trimestre para o segmento de caminhões mais uma vez frustrou os principais atores da indústria de veículos pesados, contrariando projeções otimistas do fim do ano passado e começo deste.
O sentimento foi comum aos participantes do painel “O Desafio dos Veículos Comerciais” ocorrido durante o VIII Fórum da Indústria Automobilística, realizado por Automotive Business na segunda-feira, 17, no Golden Hall do WTC, em São Paulo. Apesar da frustração, todos ainda apostam no início da retomada, apenas não conseguem dizer quando.
De janeiro a março de 2017 as vendas de caminhões alcançaram pouco mais de 9,6 mil unidades, volume 26,3% inferior ao registrado em iguais meses do ano passado, quando o mercado absorveu 13,3 mil unidades.
“Realmente havia uma expectativa de melhoria no ambiente de negócio desde o fim do ano passado, mas, infelizmente, o mercado ainda não reagiu”, observou Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas, marketing e pós-vendas da MAN Latin America. “Cabe observar, no entanto, que acreditamos em um resultado positivo, com crescimento gradual nas vendas a cada mês.”
De acordo com os participantes do painel, o resultado apurado no primeiro trimestre gera inclusive dúvidas em relação à projeção da Anfavea, de crescimento de 6% nas vendas de veículos pesados em 2017, para 65,6 mil unidades.
“Além de um primeiro trimestre ruim, o ritmo de vendas de abril também se mostra fraco até agora, apontando para encerrar como o pior do ano”, revelou Roberto Leoncini, vice-presidente de vendas de caminhões e ônibus da Mercedes-Benz do Brasil. “Caso não haja avanço nos emplacamentos, não vejo luz no fim do túnel.”
Mesmo a esperada safra recorde, que serviria para aumentar as vendas de caminhões pesados, não funcionou como era esperado pelo segmento. “O empresário do campo comprou insumos com o dólar em alta e, hoje, vende sua produção com preços mais baixos”, observou Alcides Cavalcanti, gerente de vendas do Grupo Volvo. “O que realmente impulsionará os negócios de caminhões será a melhora da economia. Nem mesmo financiamentos subsidiados adiantariam neste momento.”
Para enfrentar o período de dificuldade os representantes das montadoras presentes no painel garantiram que fizeram o dever de casa e que tanto os estoques quanto a produção estão ajustados com a nova realidade, portanto em conformidade com a demanda do mercado. “Com a crise que se arrasta há mais de dois anos ficamos precavidos”, disse Marco Borba, vice-presidente da Iveco para a América Latina. “Hoje trabalhamos diante uma situação de relativa estabilidade no que diz respeito ao chão de fábrica.”
Com o objetivo de preservar a saúde das empresas diante de quadro tão dramático, os representantes da indústria de caminhões apontaram como frentes de ataque os serviços de pós-venda. Parte de todos os recentes anúncios de investimento feitos pelas montadoras de caminhões será destinada a desenvolvimento de rede com foco na ampliação da base de clientes.
“Traremos processos globais para fábrica e serviços, ampliação da nossa rede de concessionários para 140 pontos, além de conectividade, de oferecer serviços conectados”, revelou Eronildo Santos, diretor de desenvolvimento de negócios da Scania, em referência aos R$ 2,6 bilhões que a empresa aportará no País até 2020. “O investimento é parte de nosso futuro, para estarmos prontos quando o mercado voltar.”
Para Luís Gambim, diretor comercial da DAF Caminhões, o momento ruim enfrentado pelo segmento de caminhões e pelo País não deve ofuscar a visão de longo prazo. “Para a DAF é um grande desafio competir com marcas já consolidadas no mercado nacional. Nós também não imaginávamos quedas pronunciadas quando a empresa chegou por aqui. Também buscamos alternativas para enfrentar o momento, como a ideia de começar a atuar no segmento de veículos usados e a criação de um banco.”Assista ao resumo em vídeo do VIII Fórum da Indústria Automobilística: