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Campanha Calçada Cilada vai mapear vias defeituosas em todo o país

Campanha demonstrou que, em São Paulo, há priorização de obras nas calçadas do centro, em vez das periferias / Foto: Divulgação (Instituto Corrida Amiga)
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Redação AB

08 jul 2021

2 minutos de leitura

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Neste mês de julho começa a oitava edição da campanha Calçada Cilada, iniciativa desenvolvida pelo Instituto Corrida Amiga, de São Paulo, com o apoio de organizações parceiras de várias regiões do Brasil. No ano passado, participaram da consulta 1.032 pessoas de 149 cidades e 25 estados brasileiros.

Por meio do aplicativo gratuito Colab, os participantes poderão tirar fotos de calçadas danificadas, inseguras ou pequenas demais e compartilhar com a campanha utilizando a hashtag #cilada na descrição. O objetivo é chamar atenção para a precarização das vias urbanas para quem se locomove a pé, especialmente nos arredores de instituições de ensino, unidades de saúde e pontos de acesso ao transporte público.

Segundo Silvia Stuchi, diretora-fundadora do Instituto Corrida Amiga, a campanha costuma receber média de mil colaborações a cada edição. “Nossa ideia é colocar luz nessa pauta tão invisibilizada pelos órgãos públicos e também muito naturalizada pela população. Acredita-se que ‘calçada é assim’ e pouco se faz pra mudar esse cenário”, argumenta ela, que tem pós-doutorado em sustentabilidade. No ano passado, 80% dos participantes apontaram as calçadas irregulares (buracos, obstruções, etc.) como a principal dificuldade para o deslocamento a pé.

Após a finalização da campanha, os resultados são compartilhados com o público por meio de informes à imprensa e o mapeamento é enviado a órgãos públicos. “Tivemos alguns resultados concretos de melhoria de calçada. É complicado estabelecer uma relação de causa e efeito, de dizer que é por causa da campanha que a calçada foi arrumada. Mas há indícios que sim porque, imediatamente após o envio das fiscalizações, calçadas apontadas acabam sendo consertadas”, conta ela.

No ano passado, os resultados da campanha foram utilizados em um estudo que demonstrou a diferença na execução do Plano Emergencial de Calçadas entre centros e bairros periféricos na cidade de São Paulo. “Materializamos no mapa com dados a discrepância de rotas contidas no Plano Emergencial”, afirma Stuchi. “A maioria dessas rotas está no centro e uma parcela ínfima na periferia, sendo que lá é a área em que as pessoas mais caminham, de acordo com a Pesquisa Origem-Destino feita pelo Metrô”, afirma.

Outro resultado da campanha é que ela contribuiu para a formulação do Estatuto do Pedestre, marco regulatório de 2020 que traz diversas regras para as vias de caminhada na capital paulista, além de denominar responsabilidades entre órgãos públicos para a realização de melhorias na infraestrutura.

Durante a pandemia de Covid-19, de acordo com levantamento realizado pela Rede Brasileira de Urbanismo Colaborativo (Rede Br, 2020), as medidas de segurança adotadas no isolamento social fizeram com que a preferência pela caminhada crescesse de 9% para 23% em todo país.

Mais informações estão disponíveis no site oficial do Calçada Cilada.