
A Caoa Chery demitiu 59 trabalhadores de sua fábrica em Jacareí (SP) na quarta-feira, 18, e encerrou as atividades do setor de montagem de motores. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, os cortes equivalem a 11% dos 540 funcionários que havia na unidade. 
Com o fechamento da seção, os motores passam a vir todos montados da China. Ainda de acordo com o sindicato, as demissões atingiram a produção e o setor administrativo. Na quinta-feira, 19, os metalúrgicos iniciaram uma greve em protesto contra as demissões.
Apesar de a Chery registrar crescimento de 56% em vendas neste primeiro bimestre sobre igual período do ano passado, um dos dois modelos produzidos em Jacareí, o sedã Arrizo 5, teve apenas 2,4 mil unidades vendidas em todo o ano de 2019 e menos de 300 no primeiro bimestre deste ano.
A Chery teria justificado os cortes pela perspectiva de queda na produção. Além do Arrizo 5, a fábrica produz na cidade o utilitário esportivo Tiggo 2 (o segundo Chery mais vendido no País, com 6,2 mil unidades em 2019) e se prepara para iniciar a fabricação local de outro sedã, o Arrizo 6.
“Não podemos aceitar demissões num cenário em que a população mais precisa de seus empregos e planos de saúde. O sindicato vai cobrar do poder público medidas em favor dos trabalhadores”, afirma o diretor do sindicato local, Guirá Borba.
Esta semana, o sindicato protocolou carta na Chery com pedido de licença remunerada a todos os trabalhadores, como forma de prevenção à Covid-19, doença causada pelo coronavírus. Até o fim da semana o sindicato aguarda reunião com a empresa para tratar desse assunto.