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Caoa Chery usa dólar e retração de vendas para demitir em Jacareí

No entanto, motivo mais provável é o fraco desempenho de mercado do sedã Arrizo 5 desde o lançamento, em 2018
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Redação AB

19 mar 2020

2 minutos de leitura

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A Caoa Chery utilizou a disparada do dólar e uma “grande e inesperada” queda nas vendas para justificar a demissão de 59 funcionários em Jacareí (SP) na quarta-feira, 18. Com o corte, a empresa passa a importar já montados os motores que equipam o sedã Arrizo 5 e o SUV Tiggo 2, os dois veículos fabricados na unidade.
A queda “inesperada” à qual a empresa se refere é a que ocorreu a partir de segunda-feira, 16, em razão do aumento de casos de Covid-19 e do anúncio de medidas de prevenção ao contágio pelo coronavírus, mas é certo que a decisão de trazer os motores já montados não foi tomada em dois dias apenas. A empresa não quis comentar o assunto.
Um motivo razoável para a decisão é o fraco desempenho de vendas do sedã Arrizo 5. O modelo começou a ser montado em outubro de 2018, mas desde o fim daquele ano até a quarta-feira, 18 de março de 2020, o carro teve menos de 3 mil emplacamentos, muito abaixo da expectativa inicial de 500 unidades por mês.
E o Tiggo 2, apesar de ser o SUV mais acessível da Caoa Chery, fica atrás do Tiggo 5X (que é maior, mais caro e montado em Anápolis, GO). Em 2019 o Tiggo 2 teve 6,2 mil unidades licenciadas e o Tiggo 5X, 7,9 mil. No acumulado até 18 de março o Tiggo 5X superou as 2,5 mil unidades, o dobro do Tiggo 2 no mesmo período.
Como consequência das demissões, os metalúrgicos iniciaram na quinta-feira, 19, uma greve que interrompe toda a produção na fábrica de Jacareí. É a sexta paralisação na unidade e a primeira desde a entrada da Caoa na operação, em novembro de 2017.
Em comunicado à parte relacionado à produção em Anápolis, a empresa cita apenas medidas preventivas à Covid-19 como redução do número de viagens e reuniões. Não há informação sobre cortes em Goiás nem definição sobre férias coletivas.