
A fábrica da Caoa em Anápolis (GO) renovou em maio passado, pela terceira vez, o acordo de redução da jornada de trabalho com os 1,3 mil empregados da unidade, que até o fim de novembro deste ano deverão continuar trabalhando apenas três vezes por semana, de quarta a sexta-feira, em um turno de oito horas. Desde o ano passado a planta opera no regime criado pelo Programa de Proteção ao Emprego (PPE), este ano transformado em Programa de Seguro Emprego (PSE), em que permite reduzir a carga horária semanal e os salários em até 30%, com complementação de metade da perda salarial pelo governo com recursos do Fundo de Apoio ao Trabalhador (FAT), limitado ao teto de pouco menos de R$ 1 mil.
No caso da Caoa, a empresa reduziu os salários ao máximo permitido de 30%, mas cortou a jornada bastante acima disso para evitar a formação de estoques. Com isso, opera atualmente com capacidade ociosa superior a 75% à capacidade produtiva de até 80 mil unidades/ano em três turnos.
Há 10 anos, completados este ano, a Caoa produz em Anápolis sob licença modelos da coreana Hyundai, da qual também é importadora oficial no País. Atualmente a montadora faz cinco modelos na planta goiana, os caminhões HR e HD80 e os SUVs Tucson, ix35 e New Tucson. Em sua história, em apenas um ano a fábrica superou levemente a metade de sua capacidade total, quando fabricou 41,6 mil unidades em 2011. No ano passado, já sob regime de PPE, foram montados apenas 18,7 mil veículos e o ritmo anotado no início de 2017 aponta para resultado parecido com o de 2016. SEM DEMISSÕES
“Desde o início da crise não fizemos demissões na fábrica e por isso renovamos este mês o acordo de redução de jornada pela terceira vez”, explica Ivan Witt, diretor de compras e RH da Caoa. “Tomamos todas as medidas para não demitir, porque temos mão de obra qualificada que é difícil de encontrar na região. Se for necessário estudamos até repassar funcionários para fornecedores que querem se instalar lá”, revelou o executivo durante sua apresentação no V Fórum de RH na Indústria Automobilística, realizado esta semana por Automotive Business em São Paulo.
Segundo Witt, para aumentar a produtividade da fábrica e utilizar melhor sua capacidade, a Caoa segue em negociações para produzir mais modelos em Anápolis, ao menos quando as condições de mercado melhorarem, ao mesmo tempo em que mira no aumento da automação da linha de produção.