logo

diversidade

Capacitismo no trabalho atinge 3 em cada 4 pessoas com deficiência, diz pesquisa

Terceira edição da pesquisa Radar da Inclusão 2026 aponta barreiras para PcDs e pessoas neurodivergentes

Author image

Redação AB

20 out 2026

3 minutos de leitura

A pesquisa Radar da Inclusão 2026, realizada pela Talento Incluir, revela que 3 em cada 4 pessoas com deficiência e/ou neurodivergentes na força de trabalho (75%) já passaram por situações de capacitismo. O casos apurados no levantamento apontam comentários capacitistas, discriminação por colegas ou lideranças, desqualificação profissional e falta de oportunidades de promoção.

Os dados da 3ª edição mostram que ainda há um longo caminho a percorrer no ambiente corporativo e reforçam um alerta para as empresas: mais do que contratar, é preciso garantir acessibilidade, oportunidades de desenvolvimento e crescimento profissional, além de ampliar a presença dessas pessoas em posições de liderança e criar condições para a retenção de talentos.

Em sua coluna para a AB, a CEO da Talento Incluir, Carolina Ignarra, analisa o setor automotivo e as oportunidades para avançar na inclusão de pessoas com deficiência e transformar compromissos em resultados concretos.

Barreiras começam antes da contratação

Segundo os participantes ouvidos na pesquisa, as barreiras começam na oferta de vagas limitadas aos cargos de entrada e no processo seletivo.

Cerca de 65% dos entrevistados percebeu desvalorização do perfil profissional pela oferta de uma vaga com menos exigência de qualificação; 48% perceberam que o recrutador não estava preparado para conduzir a seleção de forma acessível; e 40% enfrentaram barreiras de acessibilidade que dificultaram a participação no processo seletivo.

Esse percentual chega a 84% entre aquelas pessoas com deficiência que também se declararam LGBTQIA+ e 81% entre mulheres cis.

Metade dos respondentes consideram que ter uma deficiência e/ou ser neurodivergente reduz suas chances de conseguir um bom emprego.

Carreira e crescimento profissional

Quase 70% avaliam que nenhuma ou apenas uma minoria das empresas está preparada para receber esses profissionais.

Entre as pessoas atualmente empregadas, 48% trabalham há mais de três anos na empresa atual. Nesse grupo, 44% nunca foram promovidas.

A ampla maioria das pessoas que está na força de trabalho ainda não ocupa cargo de liderança (84%), enquanto 11% ocupam cargo de média liderança e apenas 1% está em cargo de alta liderança.

Falta acessibilidade nas empresas

A acessibilidade continua sendo uma das principais barreiras da carreira profissional de pessoas com deficiência e/ou neurodivergentes.

Entre as pessoas empregadas, 44% relatam dificuldade de acessibilidade em eventos, confraternizações ou momentos de integração com colegas. Enquanto 29% ainda sofrem com falta de acessibilidade em espaços físicos, como estações de trabalho, banheiros e refeitórios

O estudo é da Talento Incluir, em parceria com o Pacto Global da ONU, e realizada pelo Instituto Locomotiva. A edição teve participação recorde este ano com 2.526 pessoas com deficiência e/ou neurodivergentes de 16 anos ou mais em todo o Brasil, incluindo pessoas empregadas, autônomas, empreendedoras, empregadas na iniciativa privada ou no serviço público, e pessoas em busca de emprego.