
Em julho do ano passado, a União Europeia publicou um pacote com 13 propostas legislativas que vão ajudar a reduzir 55% das emissões de CO2 nos próximos cinco anos – o que inclui a revisão de diversas leis em vigor, como mudanças nas exigências de performance para veículos. As medidas são parte do plano “Lei Climática da União Europeia“, que prevê estratégias para o bloco se tornar carbono neutro em 2050.
As metas apertadas da Europa para que a indústria automotiva seja carbono zero desagrada as fabricantes de veículos, que consideram o prazo apertado para concretizar a transição para a mobilidade elétrica e sustentável.
Carbono zero na Europa preocupa montadoras
Em nota, a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (Acea) disse que “está preocupada” com a proibição da venda de carros novos a combustão, uma vez que a indústria automotiva global vive período de incertezas e ainda existem diversos desafios para massificar o uso de carros elétricos.
“Dada a volatilidade e a incerteza que a indústria automobilística está vivenciando globalmente, qualquer regulamentação de longo prazo que vá além desta década é prematura. Em vez disso, é necessária uma revisão transparente no meio do caminho para definir as metas pós-2030”, disse o presidente da Acea e CEO da BMW, Oliver Zipse.
Para a associação, há muitas questões em aberto que precisam ser consideradas, como, por exemplo, quais tecnologias vão chegar ao mercado entre agora e 2035 e como será a implantação da infraestrutura e aceitação do consumidor nos próximos anos.
Zipse afirmou que o setor automotivo está comprometido com a meta da Europa de ser zero carbono em 2050. Na transição para a mobilidade sustentável, as montadoras estão impulsionando a mobilidade elétrica com o lançamento de novos veículos elétricos para atender diversas demandas.
Déficit de carregadores elétricos
A Acea considerou assertiva as metas da Comissão Europeia para reduzir progressiva da emissão de carbono nos próximos cinco e dez anos. No entanto, afirmou que os resultados só poderão ser alcançados com um aumento significativo na infraestrutura de recarga e abastecimento – sendo necessários 7 milhões de carregadores para carros elétricos como forma de atender a demanda.
O CEO da Stellantis, Carlos Tavares, afirmou, em março, que a empresa não deve ser vista como vilã sob as “rígidas metas ambientais da UE”. Para ele, a empresa investe bilhões de dólares na sua estratégia de eletrificação e os fornecedores devem absorver preços adicionais na mesma proporção, a fim de impulsionar a mobilidade elétrica.
Principais metas do plano carbono zero da Europa
- 2030 – Reduzir 55% a emissão de CO2 dos carros (em relação ao ano de 2021)
- 2035 – Reduzir 100% a emissão de CO2 dos veículos, o que essencialmente é a proibição da venda de veículos de motor de combustão interna
- 2050 – Zerar a emissão de CO2 dos veículos para ajudar a meta ambiental da União Europeia de alcançar a neutralidade climática nos próximos 30 anos.