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Carlos Ghosn é intimado a deixar mansão no Líbano

Ex-CEO de Renault e Nissan vive no país desde 2018, quando fugiu da prisão no Japão
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Redação AB

13 nov 2023

2 minutos de leitura

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Carlos Ghosn será obrigado a deixar a mansão onde vive no Líbano. A intimação veio por conta de uma disputa judicial sobre o proprietário do imóvel.

O ex-CEO da aliança Renault-Nissan está há quase quatro anos no país, onde se encontra após protagonizar uma fuga cinematográfica do Japão.


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No entanto, Ghosn e sua esposa foram intimados a deixar a residência avaliada em US$ 19 milhões, sob a acusação de estar “invadindo uma propriedade privada e vivendo no local sem base legal”.

Executivo não deve deixar o Líbano

A mansão é de propriedade da Phoinos Investment, que aparentemente tem (ou tinha) ligações com a Nissan – o que facilitou a mudança de Ghosn para o local. Entretanto, um juiz do Líbano determinou que a residência só poderia ser utilizada por Ghosn enquanto o executivo tivesse relações profissionais com a Nissan.

Assim, a justiça libanesa estabeleceu que Ghosn deve deixar o local até a segunda quinzena de novembro. Os advogados do ex-CEO da Nissan recorreram da decisão, e ainda não há um parecer final sobre o assunto.

Caso seja obrigado a mudar de casa, Ghosn não poderá sair do Líbano, uma vez que ele pode ser preso ou extraditado para Japão ou França, países que acusam o executivo de fraude e outros crimes.

Ghosn foi de herói a vilão em uma década

Nascido no Brasil, Ghosn também é cidadão libanês e se mudou para a França durante sua adolescência. Por lá ele se formou e iniciou sua carreira no setor automotivo.

Após passar pela Michelin, o executivo chegou à Renault e assumiu a ingrata missão de salvar a Nissan da falência em meados dos anos 2000. No Japão, Ghosn ganhou status de herói depois de reestruturar as operações da marca. Comandou a aliança Renault-Nissan até o final de 2018, quando foi preso por acusações de fraude e desvio de recursos. 

Pouco tempo após ser transferido para prisão domiciliar, Ghosn arquitetou um ousado plano de fuga no qual fugiria dentro de uma caixa de equipamento de som. Ajudado por uma série de pessoas, incluindo autoridades aeroportuárias que falsificaram os registros, Ghosn voou até o Líbano.

Como o país não possui acordo de extradição com o Japão e pode se recusar a extraditar seus cidadãos, ele se encontra por lá desde então. 

Em junho deste ano, Ghosn abriu um processo de mais de US$ 1 bilhão contra a Nissan. A empresa é acusada de difamação, calúnia e produção de evidências falsas.