
“Eu me lembro de quando a durabilidade de um carro não passava de 50 mil quilômetros rodados. Hoje projetamos um veículo para 240 mil quilômetros. Antes não tinha quase nada eletrônico e atualmente tem muita eletrônica embarcada, muita coisa mudou”, comentou o consultor Luc de Ferran. Ele explica que, para atuar no setor, a formação acadêmica é mandatória, mas não suficiente. “Entre outras coisas, é preciso ter habilidade para lidar com o sindicato dos trabalhadores e também não ficar de olho só no que ocorre no Brasil. Fui treinado nos Estados Unidos, Alemanha e França e é importante ver o que fazem em outros países, principalmente o que fazem de errado para não repetir aqui.”
Para Márcio Abraham, presidente do Setec Consulting Group, há muitas oportunidades e também necessidades nesta área. “A demanda por capacitação é cada vez maior e todos estão conscientes disso. O Inovar-Auto vai gerar impacto direto nos fornecedores para atender a demanda dos clientes, o que vai exigir maior conhecimento tecnológico.”
O diretor-técnico do Senai, Ricardo Terra, afirmou que a entidade oferece um curso desenvolvido em conjunto com o Ministério da Educação da França e com a PSA Peugeot Citroën voltado para o segmento automotivo que é atualmente o que tem a maior procura. “Realizamos no ano passado 50 mil matrículas destinadas a essa área em 53 escolas do Senai no Estado de São Paulo.”
Para Terra, há grande necessidade de aproximação entre as empresas e as instituições de ensino. “Isso é importante para equalizar as ofertas de qualificação com as necessidades”, explicou. Ele citou como exemplos o trabalho feito pelo Senai em conjunto com a Hyundai, em Piracicaba, e com a Ford, em Taubaté, por meio do qual são formados profissionais de acordo com a demanda.
“Atualmente, o grande desafio é ter educação de base, ensino fundamental que estimule os estudantes a se interessar pelas ciências, pela tecnologia, e que também os faça enxergar a possibilidade de optar por qualificação técnica”, analisou o diretor do Senai.
Abraham ressaltou também que a qualificação não deve se restringir às montadoras e fornecedores de primeiro nível, os Tier 1. “Muitos problemas, cerca de 60%, são gerados por fornecedores de outros níveis, por isso a chave é a capacitação da cadeia inteira. A comunicação tem de fluir e ser integrada.”
Luc de Ferran acrescentou que as empresas não têm mais nacionalidade. “As boas estão em todo o mundo. Não podemos fechar fronteiras. Precisamos desenvolver nossa indústria em nível global”, ressaltou. Ele frisou ainda que a cooperação feminina na indústria automobilística tem de aumentar. “Essa participação está em 17%. Temos de chegar rapidamente a 20% e depois a 50%. Ou as mulheres nos ajudam ou não vai ter gente para trabalhar. E elas são muito competentes”, disse.
Terra finalizou reforçando que o principal ativo das empresas são as pessoas. “Como educador, acredito que o futuro será construído por nós. Se trabalharmos com o RH, tenho certeza de que vamos vencer os desafios.”