
Com o boom dos eletrificados no Brasil, os postos de combustíveis tradicionais estão se adaptando a uma nova realidade, na qual o modelo de negócio também deve contemplar a oferta de pontos de recarga e serviços para esse segmento que só cresce no país. Acompanhar esse avanço, portanto, vai ser inevitável especialmente para os postos localizados em rodovias.
De acordo com Rodrigo Spadaccia Queiroz, diretor do Sindicato dos Postos de Combustíveis de Campinas e Região (Recap), esses estabelecimentos não conseguem acompanhar a evolução da capilaridade vista nos pontos de recarga instalados nos grandes centros.
“Estacionamentos de supermercados são um ponto de carregamento com uma vantagem em relação ao posto de rodovia, porque no posto a pessoa teria que esperar. Claro que o posto também é um local interessante, tem possibilidades de exploração do negócio, mas nós vamos ter outros concorrentes nesse sentido sim”, disse Queiroz.
Com os veículos eletrificados entrando em cena e ampliando a participação, uma preocupação a longo prazo também nasce no segmento representado pela Recap: os postos de combustíveis tradicionais vão perder espaço no que diz respeito à oferta de abastecimento? Para Queiroz, a resposta é não, mas ainda há apreensão no setor.
“É uma preocupação recente que a gente começou a ter. O fato é que nos últimos dois anos, principalmente com essa invasão chinesa, o cenário parece estar mudando totalmente. Por outro lado, a frota de veículos a combustão no Brasil ainda é muito grande”, contou.
Ele argumenta que o tempo de troca da frota no Brasil também é longo, mas se a eletrificação continuar nesse ritmo acelerado, vai haver uma estabilização no consumo de combustível e um posterior declínio em algum momento da história do setor.
“Apesar da oferta de recarga elétrica ser muito diferente do uso de combustível líquido, ainda assim, a gente pode participar desse processo [de transformação]”, disse Queiroz.
Recarga de carros elétricos criou um novo mercado
Com a eletrificação da frota, o ambiente é de oportunidade de expansão para as empresas que atuam na cadeia de fornecimento de equipamentos e insumos para veículos elétricos.
A GreenV, fabricante de carregadores para veículos elétricos, busca oportunidades de instalação de equipamentos de recarga em concessionárias, por exemplo. A empresa, que hoje mantém contratos com 15 marcas, pretende ampliar esse número na esteira da ascensão da frota eletrificada.
“Daqui a pouco, as grandes empresas de tecnologia e de rede de recarga vão estar todas integradas, naturalmente. E o usuário que precisa carregar nas cidades, nas rodovias, nos destinos, no final das contas, terá o seu aplicativo de estimação”, disse.
No entanto, no caminho da empresa há desafios a serem superados. Um deles é a ausência de políticas públicas que apoiem a aceleração da mobilidade elétrica no Brasil. “Se tiver uma contribuição do governo para ter políticas públicas que apoiem os elétricos de verdade, sem dúvida nenhuma, o mercado pode deslanchar ainda mais”, contou.
Apesar dos desafios, a perspectiva é otimista, com esperança de avanços ainda maiores para o setor. “A gente ainda não está próximo dos grandes mercados, mas a infraestrutura está melhorando e acho que esse é um excelente motivo para que as pessoas possam comprar elétricos, porque a infraestrutura está se movimentando no mercado brasileiro”.
