
Entre tantas incertezas sobre o futuro da mobilidade e da indústria automotiva, a Volkswagen tem uma convicção: o destino será protagonizado por veículos elétricos e o carro flex, tão popular no Brasil, é uma solução local e transitória. A previsão é de Thomas Schäfer, CEO global da marca, que visitou o país para participar da comemoração de 70 anos da empresa em nosso território.
“O etanol é uma solução que contribui muito com a redução das emissões de CO2, mas é tecnologia local. Não há potencial de escala. Globalmente, vamos caminhar para veículos a bateria”, disse o executivo em entrevista a um grupo de jornalistas.
Segundo ele, as decisões de investimento na região levam em conta essa particularidade, mas, no longo prazo, o caminho precisa ser um só porque o mercado local, ainda que seja relevante, não é grande o bastante para justificar o desenvolvimento de tecnologias específicas.
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“Algumas regiões do mundo vão mais devagar rumo à eletrificação e precisam de soluções de descarbonização nesse período de transição”, complementou o executivo, garantindo que o etanol ainda tem vida longa até ceder espaço de vez à eletricidade.
“O carro flex não é um beco sem saída (em termos tecnológicos para a região). Só não é um sistema que o mundo pode copiar”, justificou.
Curiosamente, há 20 anos, foi justamente a Volkswagen a primeira fabricante de veículos a produzir e a vender um carro com a tecnologia flex.
Apesar da controvérsia, novo investimento da Volkswagen contemplará carro flex
Durante a visita ao Brasil, Schäfer participou de uma série de reuniões com a liderança da companhia para debater o próximo ciclo de investimento da Volkswagen. Atualmente, a montadora aplica um pacote de R$ 7 bilhões que começou em 2022 e vai até 2026.
O aporte contempla o investimento em soluções digitais, em descarbonização e o lançamento de novos veículos, inclusive os elétricos ID.4 e ID.Buzz. “Está em discussão o ciclo de investimentos seguinte, que irá de 2027 a 2030”, contou Ciro Possobom, CEO da companhia para o Brasil.
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Apesar do ceticismo do executivo global sobre a capacidade do carro flex de protagonizar o futuro da mobilidade, a companhia não deve o tirar de cena tão rápido. “Estamos, neste momento, definindo o futuro da Volkswagen na América do Sul e brigamos para mostrar que não é possível já virar a chave para os carros puramente elétricos”, diz o CEO brasileiro. Vale lembrar que, nessa transição, está nos planos da Volkswagen, a produção local de carros híbridos flex.
Possobom destaca que 50% das vendas nacionais são de modelos com preço abaixo de R$ 120 – justamente a faixa contemplada pelo recente pacote de incentivos do governo à indústria automotiva. Segundo ele, antes de dar um passo largo demais para oferecer apenas veículos elétricos, é preciso garantir modelos acessíveis ao consumidor local.
