
Um cálculo apresentado pela Itaipu Binacional revela que o consumo de energia no País subiria apenas 0,3% se 10% dos carros feitos anualmente fossem elétricos. Outro ponto contestado pelo palestrante refere-se à baixa autonomia, com base na informação de que os motoristas brasileiros andam em média 57 quilômetros por dia: “Num veículo com motor a combustão, ninguém roda até o tanque se esgotar. A mesma coisa ocorre com os elétricos. Quem os utiliza inicia a recarga antes disso, o que também reduz o tempo de reabastecimento”, disse Calcagnotto. Os brasileiros rodam em média 57 quilômetros num dia útil.
O executivo também descartou o desaparecimento dos motores de combustão interna: “Eles continuarão sendo os ‘reis do pedaço’ por um bom tempo, mas a aplicação de diferentes tecnologias terá cada vez mais espaço”, afirmou. O presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico, Pietro Erber, concorda com o ponto de vista: “Eles serão mesmo utilizados ainda por muito tempo, especialmente nos veículos híbridos.”
O maior problema que afeta os carros elétricos e híbridos à venda no Brasil é tributação elevada, que resulta em um preço final alto: “Estamos vendendo um Prius por dia. O carro custa R$ 120 mil. Se houvesse uma política de incentivos, esse valor baixaria para algo entre R$ 90 mil e R$ 100 mil. Com esse preço daria para vender mil unidades por mês no Brasil”, afirmou o gerente-geral de relações governamentais da Toyota, Ricardo Bastos (sobre o pleito das montadoras a esse respeito, leia mais aqui).
A Toyota apresentou ao governo, assim como a Renault-Nissan, um plano que sugere o abatimento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em troca de investimentos em pesquisa e desenvolvimento e nacionalização do carro. “A intenção é ter essas tecnologias disponíveis para o público. O preço vai se equalizar com a produção no Brasil”, diz Bastos, que comemora no País 105 unidades do Prius rodando como táxis. “E todos foram mesmo vendidos.”
“Com uma carga tributária reduzida, mais frotistas conseguiriam comprar nossos carros, disse Calcagnotto”, referindo-se aos elétricos Renault e ao Nissan Leaf. A cidade de São Paulo já tem dez Nissan Leaf (totalmente elétricos) rodando como táxis. No Rio de Janeiro serão 15 unidades cumprindo essa mesma função até o fim da semana. Outros foram entregues à Polícia Militar.
Da Renault foram vendidos recentemente três modelos elétricos à CPFL (veja aqui), um sedã Fluence, um hatch Zoe e um furgão Kangoo. “E vamos anunciar uma grande venda nos próximos dias”, garantiu Calcagnotto.
De janeiro até agosto foram emplacados no Brasil 321 automóveis elétricos, um crescimento de mais de 300% em relação ao mesmo período de 2012.