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Giovanna Riato, AB
De Lisboa, Portugal
O Brasil pode receber nos próximos anos o Mobi.e como uma das soluções para viabilizar carros elétricos. O sistema integra em uma única plataforma diversas soluções e informações sobre a recarga de modelos com a tecnologia, com facilidades como um único cartão que pode ser usado em diferentes equipamentos de abastecimento, informações on-line sobre os postos mais próximos e históricos de gastos com energia.
A novidade está em estudo na Prefeitura de São Paulo como uma das possibilidades para estimular a diversificação das fontes de energia da frota. A cidade assinou um protocolo de intenções com a Aliança Renault Nissan, para analisar a compra de carros elétricos da companhia para frotas públicas. O projeto, parceiro das montadoras, pode chegar ao País ao mesmo tempo que os veículos.
Sistema unificado
Desenvolvido em Portugal, o Mobi.e pretende padronizar o serviço de abastecimento para o cliente, que não precisará trabalhar com concessionárias diferentes em cada região em que estiver. Além disso, com a tecnologia, o país pretende romper uma das grandes barreiras ao avanço do carro elétrico: a insegurança do cliente. “Mais do que a eletricidade em si, as pessoas buscam informações sobre onde poderão abastecer e se há uma rede disponível e estruturada”, acredita João Dias, um dos responsáveis pela implementação da novidade.
No sistema, o cliente conta com recursos para atender a essa necessidade. Entre eles está a possibilidade de traçar uma rota no celular e verificar nela quais são os pontos disponíveis. Até o fim de 2011 o sistema contará com 1.300 postos de abastecimento normal e 50 de recarga rápida em 25 cidades.
O investimento na primeira fase foi feito pelo governo português para estimular a eletrificação veicular e reduzir a dependência de petróleo. A intenção é aproveitar a energia elétrica produzida a partir de fontes renováveis, que já representa 53% do total utilizado no país. Entre hidroelétrica e, principalmente, eólica, cerca de 60% da energia da região será renovável até 2020.
A fase inicial de desenvolvimento do Mobi.e durou cerca de dois anos, com o primeiro posto de abastecimento inaugurado em 2009. Entre os principais critérios para o projeto estava a necessidade de oferecer cobertura nacional integrada que, mesmo com equipamentos de recarga distintos, fosse compatível com um único sistema.
A tecnologia precisava ainda ser competitiva e autossustentável. “Quando a plataforma ganhar um volume maior de usuários, os investimentos do governo não serão mais necessários”, explica Miguel Pinto, representante da Inteli, uma das empresas envolvidas no projeto. Com isso, o programa pretende igualar os custos dos veículos elétricos, entre compra do carro e gastos com o uso diário, com os dos modelos a combustão.
Além do criterioso processo de desenvolvimento, o projeto deve ganhar força impulsionado por uma série de outras iniciativas. A primeira delas é a liberação de incentivos fiscais, como o desconto de € 5 mil para os primeiros 5 mil elétricos emplacados no país. “Esse estímulo só não esgotou até agora porque faltam veículos para ser comercializados, há fila de espera”, conta Pinto. Outras ações são o mapeamento do potencial do mercado do segmento e a meta de substituir 20% da frota portuguesa por carros elétricos.
Expectativas
Depois de ser o primeiro país da Europa com um sistema do gênero, Portugal deve levar o Mobi.e para outras regiões do continente. “A partir de janeiro de 2012 começamos a integrar diversas outras redes ao sistema”, revela Miguel Pinto. Por enquanto, o volume de clientes é pouco expressivo, já que o país tem apenas 400 carros elétricos. A expectativa, no entanto, é que o projeto esteja disponível para acompanhar o crescimento dessa frota. Os modelos com a tecnologia devem representar 10% das vendas totais de veículos no mundo em 2020.
A plataforma já recebe incrementos para funcionar com mais eficiência. “Temos um estudo em curso sobre os hábitos dos usuários de energia para chegarmos a perfis de consumo e carregamento”, conta. A partir desse levantamento serão desenvolvidas smart grids, redes inteligentes em que o usuário pode programar a recarga do carro em horários de baixa demanda de energia (há locais em que a tarifa é menor de madrugada, por exemplo).
A ideia é que o cliente agende o carregamento pelo celular ou computador. “A pessoa informa a quantidade de energia que precisará e em qual horário. A partir disso o próprio sistema define a melhor forma de recarga com o menor custo”, explica Pinto. Junto a este recurso o Mobi.e também deve tornar disponíveis, em breve, informações sobre os gastos com o carro e ainda sobre as emissões de poluentes geradas no ciclo de abastecimento.
Renault
A Renault prepara o terreno para a chegada da sua linha de carros elétricos ao mercado. Por conta da parceria com as empresas responsáveis pelo Mobi.e, a companhia escolheu Portugal para o lançamento de dois modelos da nova gama, o Kangoo Z.E. e o Fluence Z.E., que serão apresentados nesta quinta-feira, 10. A empresa também trabalha com outras soluções para viabilizar os modelos no mercado, como um sistema de troca de baterias, feito em parceria com a empresa israelense Better Place. A ideia é que, quando não há tempo para reabastecer a energia do carro, o usuário troque a bateria do veículo por uma carregada. A substituição, segundo a montadora, leva um minuto e meio.

