O Brasil encontrou e adotou por várias décadas o seu jeito de comprar peças técnicas: a oficina pedia por telefone e os comerciantes encontravam a peça porque mantinham aquele profissional conhecido com orgulho da loja por ser o conhecedor de todos os códigos, pois os tinha na cabeça. Isso até pode ter funcionado bem nos tempos onde reinavam apenas quatro montadoras, GM, Fiat, Ford e VW falando de linha leve. Hoje são dezenas de fabricantes e centenas de modelos, tornando-se impossível essa operação sem um sistema inteligente de catalogação eletrônica – lembrando que não é só conhecer o código, mas a peça certa para cada modelo de veículo, pois um componente errado é fatal neste negócio.
Países e regiões desenvolvidos, como Estados Unidos e Europa, já adotaram há muitos anos o catálogo eletrônico de autopeças com o objetivo de melhorar a comercialização, construindo sua padronização, melhorando a assertividade da peça, buscando a produtividade para um negócio cada vez mais dinâmico, não havendo tempo a perder com questões básicas como esta.
As montadoras, mesmo possuindo cada uma seu catálogo, encontraram no Partslink24 uma plataforma segura que reúne em um único catálogo a maioria das marcas para melhorar e potencializar o seu relacionamento com oficinas e varejistas, traduzido em mais de 18 línguas e presente em dezenas de países. Mas, acredite se quiser, ainda encontra resistência no Brasil de algumas grandes marcas como General Motors e Mercedes-Benz por exemplo, que não introduziram seus dados, mas continuam mantendo interesse em vender peças às oficinas, ainda que pouco preocupadas com a produtividade das mesmas.
Enquanto isso o canal independente, mesmo possuindo modelos domésticos e sendo abordado por modelo norte-americano como ACES & PIES e o europeu TECDOC, ainda patina para adotar um padrão único. Recentemente, as instituições que reúnem os atores do canal independente encontram-se estudando profundamente uma sistemática de padronização que deverá pôr fim a essa novela, em breve poderemos ter novidades para um modelo que atenda a necessidade das empresas brasileiras.
O Brasil é realmente inusitado no aftermarket automotivo, enquanto o mercado em geral já ultrapassa a barreira do e-commerce e começa a avançar no m-commerce (venda via celulares e tablets), ainda temos de quebrar a barreira cultural para que as indústrias entendam que podem vender mais, evitando custos de garantia e devolução com um catálogo digital unificado.
Essa unificação também estabelece uma nova forma de relacionamento entre oficinas e lojas. Se cada empresa insistir em manter um catálogo, a oficina multimarca ficará menos disposta a comprar pela dificuldade criada.
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Luiz Sergio Alvarenga é diretor da Alvarenga Projetos Automotivos e conselheiro do Instituto da Qualidade Automotiva (IQA)