
A indústria alemã, em especial a automotiva, depende da China. Esse foi o recado dado pelo CEO da Mercedes-Benz, Ola Kallenius, para refutar qualquer possibilidade de rompimento de relações com o país asiático.
Em entrevista ao jornal alemão “Bild am Sonntag”, o executivo foi claro sobre a importância da economia chinesa para o seu país e para a empresa que lidera. Ele considera “impensável para quase toda a indústria alemã” qualquer rompimento com a China.
“Os principais atores da economia global, como Europa, Estados Unidos e China, estão tão intimamente ligados que a separação da China não faz qualquer sentido”, declarou Ola Kallenius.
Mercedes dependente da China?
O comentário do CEO da Mercedes ocorre em um momento em que a Europa tenta reduzir sua dependência da China. Contudo, o mercado automotivo chinês representa fatia importante para as fabricantes de veículos alemãs.
A própria Mercedes é um exemplo: a China respondeu por 18% das receitas e 37% das vendas de carros da marca da estrela de três pontas em 2022. Além disso, o Beijing Automotive Group e o presidente da Geely (dona da Volvo Cars e acionista da Lotus), Li Shufu, são alguns dos principais acionistas da montadora.
O CEO da Mercedes, inclusive, prevê um crescimento substancial das vendas no mercado chinês, impulsionado pelas classes altas do país.
“Nossos números de vendas na China estão aumentando e estou bastante otimista de que também cresceremos este ano. Durante os anos de pandemia, os chineses mais ricos, em particular, fizeram economias extraordinárias. Esse poder de compra deve nos beneficiar”, acredita.