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CEO da Stellantis teme que classe média perca acesso ao carro elétrico

Carlos Tavares aponta US$ 25 mil como preço ideal para EVs e pede ajuda aos metalúrgicos nessa missão
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Mario Curcio

31 jul 2023

3 minutos de leitura

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O executivo Carlos Tavares, CEO da Stellantis, voltou a abordar a questão da viabilidade dos carros elétricos. Para ele, os consumidores da classe média não terão acesso aos EVs se as montadoras não puderem absorver os custos elevados de produção.

“O nível ideal para modelos acessíveis é de cerca de US$ 25 mil”, afirmou Tavares em entrevista coletiva na última sexta, 28.


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Ele ressalta que uma das formas para chegar a esse preço e proteger a identidade de seus produtos passa por um entendimento com o UAW, United Auto Workers, o sindicato norte-americano dos metalúrgicos. Para ele, montar carros elétricos acessíveis e lucrativos é um fato que precisa ser discutido com a entidade.

“Se quisermos proteger os empregos e as fábricas, precisamos encontrar as condições para fazer um carro elétrico nessa faixa de preço [US$ 25 mil] com volume e margem razoáveis”, dispara. A condição para isso passaria, segundo Tavares, por uma conversa com os trabalhadores nas linhas de montagem.

Riscos com o sindicato

Tavares também discutiu os possíveis efeitos de uma paralisação de funcionários e o atraso na produção da Jeep. Ele afirma que o uso da greve como instrumento de força somente prejudica as negociações.


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Segundo Tavares, a Stellantis enfrentou poucas greves desde que foi criada, em 2021, o que demonstraria que a companhia “sabe como apoiar um diálogo produtivo” com todos os parceiros e que paralisações desse tipo não combinam com o DNA da companhia.

“As greves têm um efeito destrutivo para todos. Em vez de se discutir a valorização do trabalho, o que se tem é apenas uma maneira de medir forças em uma negociação. O que buscamos é um diálogo construtivo, de mente aberta, o reconhecimento de que o mundo está mudando e que precisamos resolver questões de curto e médio prazos e, a partir daí, sentarmos ao redor da mesa para encontrar soluções.” 

Desafios da Jeep

Questionado sobre o desempenho da Jeep, Tavares admite que a Stellantis precisa trabalhar melhor a sua marca mais vendida, cujas vendas caíram 12% nos Estados Unidos em 2022 e em mesma proporção no primeiro deste ano – ao contrário do Brasil. O Grand Cherokee, modelo Jeep mais vendido naquele mercado, teve queda de 7% até junho e as entregas do Wrangler caíram ainda mais, 15%.

O CEO culpou a estratégia de marketing pouco eficiente e a oferta inadequada de versões na rede de revendas. “Quando você olha operacionalmente, há muitas coisas que podemos melhorar e isso é parte do temos a fazer para recuperar as vendas.”

Tavares se mostrou entusiasmado com os próximos veículos elétricos que irão juntar-se à linha Jeep em 2024, o Recon e o Wagoneer S, que ajudarão no aumento de participação de mercado da rentabilidade.

Tavares diz que a marca obteve sucesso com a eletrificação em meio à queda nas vendas. O Wrangler 4xe é o híbrido plug-in mais vendido nos Estados Unidos e o Grand Cherokee, o número 2.

A Stellantis também informa que as vendas totais de carros híbridos na América do Norte mais que dobraram nos últimos seis meses, para 66 mil veículos.

“Não aceitamos o fato de termos perdido participação. Podemos fazer um trabalho melhor. É só seguir o caminho correto porque bons produtos nós temos”, conclui o CEO da Stellantis.