
Nesse contexto, a indústria automobilística é considerada uma das mais rigorosas. Somadas às tradicionais ISO 9001, ISO 14001 e OHSAS 18001, o setor exige dos seus fornecedores a ISO/TS 16949, norma que unifica os requisitos da maioria das montadoras, sejam americanas, europeias ou asiáticas.
Tornar-se uma empresa certificada e, consequentemente, ampliar as oportunidades de negócios não são tarefas simples. Também requerem investimentos. “O primeiro passo é escolher sob quais regras o negócio será conduzido. Vale ressaltar que essa decisão pode ser voluntária ou, o que é mais comum, uma exigência do cliente”, diz Sergio Luiz Custodio, diretor da ABS Quality Evaluations, certificadora credenciada por órgãos de acreditação, como Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia).
REQUISITOS COMPLEXOS
Segundo o executivo, para se adequar a uma normatização, no geral as organizações contam com o auxílio consultorias especializadas, devido à complexidade. Para se obter a ISO/TS 16949, por exemplo, é necessário atender às rígidas especificações técnicas referentes ao sistema de qualidade para projeto/desenvolvimento, fabricação, instalação e assistência técnica de produtos.
Implementados os processos definidos nas normas, cujos prazos variam de organização para organização, entram em cena as empresas responsáveis pela certificação, como o ABS QE.
Fernando Pimenta, gerente de operações, explica que a auditoria de certificação contempla duas fases, realizadas por auditores especializados no segmento de atuação da empresa que busca a certificação.
“Na primeira etapa, que dura em média dois dias, fazemos a análise de documentos. Os procedimentos descritos, os indicadores de desempenho e produtividade, monitorados por 12 meses, os manuais de qualidade, os planos e resultados de auditorias internas, a situação da satisfação e reclamações dos clientes, entre outros, que devem estar de acordo com o exigido na norma”, explica Pimenta, salientando que, constatada alguma não-conformidade, a empresa terá até 90 dias para se adequar.
A segunda fase verifica se a prática está de acordo com a documentação. No período que varia de dois a 15 dias, são avaliados relatórios, registros e realizadas entrevistas com funcionários-chave. “Caso haja alguma irregularidade, são estipulados outros 90 dias para correção. Do contrário, procede-se à certificação, que vale por três anos.”
Mesmo depois de oficialmente atestada, o trabalho não termina. Recomendam-se auditorias de manutenção a cada seis ou 12 meses, a critério da empresa.
VANTAGENS
Eduardo Lima, gerente comercial do ABS QE, afirma que é difícil estimar o investimento total no processo de certificação. No entanto, as vantagens justificam.
“Melhoria contínua da qualidade e produtividade, redução do retrabalho e desperdício, padronização e otimização dos métodos de fabricação, entre outros ganhos que impactam diretamente na rentabilidade do negócio”, elenca, reforçando que, em determinados segmentos, ser certificado é requisito número um para se habilitar ao rol de fornecedores.