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Certificação consolida qualidade de autopeças de reposição

Durante o I Fórum de Qualidade Automotiva promovido pelo IQA (Instituto de Qualidade Automotiva), na segunda-feira, 23, em São Paulo, representantes do GMA (Grupo de Manutenção Automotiva) debateram sobre os desafios para consolidar sistemas eficientes de qualidade no mercado nacional de reposição.
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Redação AB

23 set 2013

4 minutos de leitura

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Antonio Fiola, presidente do Sindirepa (Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios), comentou que a certificação de autopeças, homologada com o selo do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), assim como programas de certificação e qualificação de mecânicos e empresas do segmento, darão condições para criar um sistema de qualidade sustentável. “Um setor mais organizado incentivará o consumidor a exigir produtos de qualidade superior”, disse. Na visão do presidente do Sindirepa, esse conjunto de certificações permitirá que o mercado de reposição tenha mais credibilidade.

Ainda durante o debate, Francisco Wagner de La Torre, presidente do Sincopeças (Sindicato do Comércio Varejista de Peças e Acessórios para Veículos no Estado de São Paulo) acrescentou que a certificação dos produtos viabilizará aos varejistas condições mais seguras para trabalhar. “Não temos como avaliar no dia a dia a qualidade das peças e, mesmo assim, somos responsáveis solidários pelos defeitos dos produtos que adquirimos para vender ao consumidor final.” La Torre disse ainda que, além de criar mecanismos para aprimorar a qualidade das peças, precisa haver uma maior integração em todos os elos da cadeia, desde o fabricante, passando pelo distribuidor até o varejista.

O vice-presidente da Andap (Associação Nacional dos Distribuidores de Autopeças), Rodrigo Carneiro, lamentou que no mesmo momento em que a indústria de autopeças e toda a cadeia de reposição passa por um processo de evolução das normativas de qualidade, o governo esteja prestes a aprovar uma lei que permite aos desmanches de veículos a comercializar peças usadas. “Não tem sentido, pois há uma ausência de regulamentação de qualidade. Por isso, precisa haver um mecanismo que não dê ênfase apenas na qualidade de produção, mas também na comercialização das peças”, comentou. Segundo Carneiro, o conceito de qualidade ainda está muito restrito à produção.

Essa também é a opinião de Edson Brasil, conselheiro do Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores). De acordo com ele, precisa haver uma cultura de qualidade em todos os elos da cadeia. Desde quando o produto sai da fábrica até chegar ao consumidor. “É necessário ter regularização do setor e temos que levantar essa bandeira”, finalizou.

GARGALOS NA CERTIFICAÇÃO

O setor de autopeças deu seus primeiros passos rumo ao sistema mais eficiente de qualidade com o início do processo de certificação compulsória de autopeças que estão sendo homologadas com o selo do Inmetro desde janeiro deste ano. Trata-se de um trabalho coordenado pelo Sindipeças que envolve uma série de processos, estudos e testes para comprovar a qualidade dos produtos.

Porém, o diretor de qualidade do Inmetro, Alfredo Lobo, lembrou durante sua palestra sobre a visão da entidade no processo de certificação de peças, que um dos principais gargalos verificados para um processo eficiente de análise e certificação é a falta de laboratórios. “Não temos nenhum centro tecnológico para realizar os ensaios.” O diretor de qualidade do Inmetro confirmou que o Brasil terá um laboratório independente que começará a ser construído em breve em Duque de Caxias (RJ), com previsão para funcionar a partir de 2016. Segundo Lobo, serão investidos R$ 200 milhões para o início da construção. “A indústria automotiva não possui nenhum laboratório para esse fim, no entanto, é responsável por 25% do PIB no Brasil. Na Índia, há cinco centros automotivos para esses testes”, comparou.

Já passaram a ser certificados com o selo do Inmetro amortecedores de suspensão, bombas elétricas de combustível para motores do ciclo otto, buzinas ou equipamentos similares utilizados em veículos rodoviários automotores, pistões de liga leve de alumínio, pinos e anéis de trava (retenção), anéis de pistão, bronzinas e lâmpadas para veículos. A comercialização desses produtos, com o selo do Inmetro, será obrigatória a partir de julho de 2014.

Também começam a ser produzidas com o selo do Inmetro as baterias e sua comercialização será obrigatória no fim de 2014. Terminais de direção, barras de direção, barras de ligação e terminais axiais devem começar a receber a certificação em novembro deste ano e a venda será obrigatória em maio de 2014.