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Cesvi e Bosch reforçam vantagens do ABS para motos

Para ressaltar o ganho em segurança que o sistema antitravamento (ABS) pode propiciar às motos, o Centro de Experimentação e Segurança Viária (Cesvi Brasil) e a Bosch demonstraram diferentes situações de frenagem em piso de baixa aderência, ora no asfalto, ora sobre plástico molhado, alternando o uso de freios dianteiro e traseiro com e sem ABS.
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16 jul 2013

3 minutos de leitura

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Numa moto a 35 km/h, o uso do sistema antitravamento permitia frenagens em espaços entre dois e quatro metros. Com o ABS desativado, a motocicleta precisava de seis a oito metros para parar. Na prática, esse espaço percorrido a mais pode ser a diferença entre parar antes da faixa de pedestre ou no meio de um cruzamento.

Até aí tudo bem, não dá mesmo para contestar a eficiência do equipamento. O problema, contudo, é o preço: “No Brasil ele custa em média R$ 2,7 mil”, afirma o gerente técnico do Cesvi, Émerson Feliciano, referindo-se às motos em que o item é ofertado como opcional. Esse valor equivale a 50% do preço de muitas motocicletas vendidas no Brasil.

Nas motos de baixa cilindrada, uma solução para baixar esse preço seria a instalação de um ABS mais simples, para atuação apenas na roda dianteira. No entanto, pelo fato de os sistemas antitravamento precisarem de um circuito hidráulico para funcionar, isso implicaria a troca do tambor dianteiro por disco.

Dessa forma, antes de tornar o ABS obrigatório, o Brasil terá de pensar em freio dianteiro a disco como equipamento padrão, discussão que os fabricantes vêm adiando desde a primeira metade da década passada. Se nossas motos patinam nessa defasagem tecnológica de simples solução, a Europa se prepara para adotar freios com ABS como item de série para modelos com cilindrada acima de 125 centímetros cúbicos a partir de 2016.

E os modelos abaixo dessa cilindrada terão CBS, sigla em inglês para sistema combinado de freios. Ele não impede o travamento, mas propicia a frenagem conjunta das rodas dianteira e traseira, facilitando a pilotagem e reduzindo a possibilidade de erros do piloto (em motos convencionais, o freio dianteiro e o traseiro são acionados separadamente).

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Bosch de Campinas (SP) produz sistemas ABS e ESP para automóveis. Divisão poderá fabricar o equipamento também para motocicletas (fotos: Mário Curcio)

A SEGURANÇA EM NÚMEROS

Estatísticas negativas que cercam as motos sempre impressionam. Um exemplo disso são os casos de invalidez permanente no Brasil em razão de acidentes com motocicletas, que de 2000 a 2011 cresceram 1.378%. Nesse mesmo período, a frota de duas rodas aumentou em 357%. Os dados são, respectivamente, da seguradora Líder (DPVAT) e do Renavam.

Um estudo americano mostra que o ABS na moto é capaz de reduzir em 31% os acidentes fatais e em 20% as colisões sem morte. Na Espanha, o equipamento conseguiu baixar em 20% os acidentes com motociclistas, na Itália em 12% e na Suécia, em 16%.

NACIONALIZAÇÃO POSSÍVEL

Em 2012, a Bosch investiu R$ 20 milhões em sua divisão Chassi Systems em Campinas (SP) para ampliar a capacidade produtiva e produzir ali o ABS de nona geração e também o ESP, sigla em inglês para programa eletrônico de estabilidade. “Em 2007, a capacidade anual era de 250 mil unidades. Em 2014 serão 2 milhões”, afirma o diretor de vendas da divisão. “Para produzirmos o ABS para motos, acredito que seriam necessários outros R$ 20 milhões”, conclui.