Cada pessoa divide comigo suas experiências, me conta um pouco sobre seu passado, presente e sonhos para o futuro. Não há uma só vez em que não me depare com algo novo, estórias surpreendentes de angústias, medos, acertos e erros, superação.
Quando era executivo, não prestava tanta atenção às pessoas como faço hoje.
A agenda era apertada, os objetivos difíceis de serem alcançados, muitos incêndios para apagar. Era preciso ficar concentrado no trabalho. Hoje, ouvindo os relatos dos meus clientes, entendendo o que ocorre em suas vidas me dou conta que deveria estar mais atento aos que cruzaram o meu caminho.
Como alguém que esta vivendo um drama pessoal pode tomar uma decisão importante sem deixar que seu estado emocional influa? Quando encontrava uma pessoa que parecia distante do mundo, me perguntava se havia comprometimento profissional nesse indivíduo. A vivência corporativa nos torna meio insensíveis a essas questões. Afinal, trabalho é trabalho, vida pessoal é vida pessoal. Quem nunca ouviu isso? Hoje tenho certeza de que é impossível dividir a vida de um homem ou de uma mulher dessa maneira.
Lembro-me de um treinamento sobre reuniões eficazes que participei e nos ensinaram a prática do “check-in”. Havia um brinquedinho sobre a mesa que passava de mão em mão, e o indivíduo que o detinha naquele instante, deveria dizer ao grupo como se sentia naquele momento. Por exemplo: “estou triste hoje, porque faz um ano que meu pai faleceu e ainda dói muito” ou “estou eufórico porque meu filho passou no vestibular.” Uma prática simples, mas muito poderosa.
A atividade mostrava a todos que estavam reunidos que, além do trabalho, havia a preocupação com suas vidas. Os problemas tratados na reunião não desapareciam, mas durante as discussões o foco ficava muito mais no processo do que nas pessoas. O processo de “check-in” de alguma maneira nos tornava cúmplices, apesar das diferenças pessoais e da posição hierárquica.
Ao serem tratadas como tal, as pessoas rendem muito mais quando exigidas profissionalmente.
Um abraço!