“Recebemos propostas de estados vizinhos”, voltou a afirmar. Segundo Curi, o projeto prevê que a fábrica da divisão de motores da Chery, a Acteco, inicie suas atividades ainda no primeiro semestre de 2014 para acompanhar o começo das operações da fábrica de veículos. Por aqui serão montados os propulsores 1.0 e 1.5, ambos flex. O motor 1.0, desenvolvido em parceria com a Magneti Marelli, equipará o QQ que será fabricado no Brasil a partir de 2015, enquanto o 1.5, com tecnologia bicombustível da Delphi, será montado para o Celer, cuja produção comercial inaugurará a fábrica de Jacareí.
Curi informa ainda que a Chery desenvolve na China um novo motor 2.0 flex, mas segundo ele, ainda não há definição sobre o modelo ou sua chegada ao Brasil. Contudo, ele mesmo dá as pistas: segundo o gerente geral da marca chinesa para a América do Sul, Du Weiqiang, o sedã médio M16 será o próximo lançamento no Brasil, após o novo QQ, que antes de ser fabricado aqui, em 2016, está previsto para chegar ao mercado brasileiro em 2014. Para Curi, o modelo é um projeto para o médio prazo: “O projeto do M16 já está fechado, mas deve chegar entre 2016 e 2017”, ponderou.
CORRIDA CONTRA O TEMPO
Além da fábrica de motores, que deverá ser erguida em tempo recorde, algo como seis meses, a Chery corre contra o tempo para manter seu cronograma de construção da planta de veículos em Jacareí, no interior paulista. Curi confirma a inauguração das instalações iniciais no fim deste ano, entre novembro e dezembro, devendo apresentar o primeiro Chery fabricado em solo nacional no primeiro trimestre de 2014.
Nesta primeira fase, entrará em linha de montagem as versões hatch e sedã do modelo Celer, apresentado ao mercado no início deste ano. Posteriormente, em 2015, é a vez do novo QQ. Segundo Curi, um terceiro modelo a ser produzido no Brasil será um subcompacto totalmente novo cujo projeto é conhecido como S15: “É um modelo de entrada do mesmo segmento que o QQ, mas ele não vai extinguir o QQ, é uma evolução dele”, revela.
Ele afirma ainda que não está prevista a produção de um modelo SUV para esta primeira fase de produção. “Provavelmente, ocorrerá no futuro com certeza, mas só depois de 2017 ou 2018”.
Nesta primeira fase, a fábrica da Chery terá limites de processos produtivos: enquanto haverá soldagem, pintura e montagem, a empresa planeja, no primeiro momento, terceirizar e importar as peças de estamparia.
Sobre o parque de fornecedores, o executivo informa que três empresas chinesas já estão confirmadas para atuar ao lado da Chery em Jacareí, mas ele não revela quem são ou quais produtos fabricarão. A expectativa é de que entre 6 e 7 empresas da China venham para o Brasil trabalhar com a montadora.
Curi afirma também que com as regras do Inovar-Auto, há um período de um ano, contando a partir do início das operações, para que os veículos cumpram a exigência do conteúdo nacional, de 60%.”Vamos atingir este índice de uma forma escalonada.”
Sobre fornecedores brasileiros, o executivo não soube dizer quantos e quais devem também trabalhar com a Chery em Jacareí, mas confirma que há negociações em curso e que “tudo dependerá da volatilidade do dólar: esperamos que volte para o patamar de R$ 2 a R$ 2,05”, argumentou.
Na China, a Chery é servida por diversas empresas bem conhecidas entre a cadeia global de fornecedores da indústria automotiva, como AVL, Bosch, Continental, Delphi, Durr, Magneti Marelli, Siemens, Valeo entre outras, muitas delas já têm fábrica no Brasil.