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Mário Curcio, AB
Dezessete anos após o lançamento de sua primeira picape média no Brasil, a Chevrolet apresenta a nova geração da S10, desta vez nova mesmo. Não se trata de pequenas mudanças dianteiras e traseiras como as poucas que ocorreram desde os anos 1990. E todo o projeto de design e engenharia foi desenvolvido no Brasil. A linha de montagem de São José dos Campos (SP) recebeu R$ 800 milhões de investimento para fazer a nova picape. Essa é a única fábrica que irá montá-la na América do Sul.
“Podemos produzir cerca de 4.500 unidades por mês”, estima o vice-presidente de engenharia da GM, Pedro Manuchakian. A picape, segundo ele, tem índice de nacionalização de cerca de 70% e começou a ser produzida no Brasil em janeiro. Da Tailândia, onde a picape é feita desde o segundo semestre de 2011, vêm alguns componentes forjados para suspensão. Manuchakian acredita que as concessionárias estarão abastecidas com a picape até o fim de fevereiro. A nova lista de preços é grande, com 11 versões. A mais em conta é a LS Cabine Simples com motor flex, tração 4×2, câmbio manual de cinco marchas e tabela de R$ 58.868.
A mais completa é uma LTZ Cabine Dupla que associa motor a diesel, tração 4×4, câmbio automático e tem valor sugerido de R$ 135.250. “Haverá 21 versões até agosto. As próximas opções (com acabamentos simplificados) serão voltadas a frotistas”, revela o diretor de marketing do produto, Hermann Mahnke. Esses grandes clientes são empresas com demandas no campo como Bayer, Syngenta e Monsanto, com frotas entre 500 e mil veículos. Em regra, adquirem cabines duplas com motor a diesel e tração 4×4. “A companhias elétricas também são grandes compradoras da S10”, revela Mahnke. “Elas precisam de espaço na caçamba e boa capacidade de carga. Usam cabines simples, a diesel ou flex.”
A GM espera manter a liderança no segmento de picapes médias. Em 2011 foram emplacadas 42.818 unidades da Chevrolet S10, ante 33.259 da Toyota Hilux, segunda colocada. Em terceiro lugar ficou a Mitsubishi L200 (22.140 unidades) e em quarto a Ford Ranger (14.988). Esta última também foi renovada e chega nas próximas semanas ao mercado brasileiro.
Entre as mudanças que a S10 recebeu estão as novas transmissões. O câmbio manual é feito pela Eaton. Tem carcaça de alumínio e utiliza sincronizadores triplos para primeira e segunda marchas a fim de facilitar os engates. A ré também é sincronizada. Os engates ainda não são leves como num carro de passeio, mas estão um pouco mais próximos disso. A transmissão automática tem seis marchas e permite trocas sequenciais na alavanca. É semelhante àquela que equipa o Cruze.
O motor turbodiesel agora é um projeto da italiana VM Motori, da qual a General Motors é dona de 50% (os outros 50% são da Fiat). A GM licenciou a MWM International para produzi-lo no Brasil. Ele é feito em Canoas (RS). Utiliza a tecnologia EGR (de recirculação dos gases de exaustão) para atender aos novos limites de emissões. A cilindrada é a mesma do propulsor antigo, 2,8 litros, mas a potência subiu para 180 cv. A turbina utilizada é uma Honeywell Garret com geometria variável, mas nesse caso o ângulo ou passo das palhetas é alterado por um atuador elétrico e não por uma câmara de vácuo, o que melhora as respostas do turbo em diferentes rotações.
O motor 2.4 flexível passou por modificações significativas. “Ele recebeu cárter estrutural de alumínio, novas admissão e exaustão e o gerenciamento eletrônico é mais sofisticado, semelhante ao que a GM adota em seus motores V6 e V8. É a Hitachi quem fornece a caixa”, afirma o diretor de powertrain da montadora, Paulo Riedel. A nova unidade perdeu 1 cv de potência, mas ganhou força em baixas rotações. Rende agora 147 cv quando abastecida com etanol e produz 24,1 m.kgf de torque.
Outro destaque é o espaço da cabine dupla. Os passageiros do banco de trás têm muito mais espaço para os joelhos e se sentam em posição mais confortável. Assim como ocorre com os projetos atuais da Mitsubishi L200 e da Toyota Hilux, a parte traseira da cabine dupla da S10 termina em curva, não mais em uma linha reta. As caçambas têm agora volume entre 1,57 m³ (cabine simples) e 1,06 m³ (cabine dupla).

Posição de dirigir e disposição dos instrumentos melhoraram bastante em relação à S10 antiga. Nova cabine também favorece o conforto do banco para quem viaja traseiro.

Maior, a caçamba da S10 cabine simples leva 1,57 m³. Na cabine dupla esse volume baixa para 1,06 m³.
Quando questionado sobre os pontos de destaque da nova S10 em relação às concorrentes ou mesmo à versão anterior, Pedro Manuchakian disse: “Conforto, precisão de resposta da direção, espaço interno e visibilidade são muito bons.”
QUEM É O COMPRADOR DA PICAPE
O diretor de marketing da GM, Gustavo Colossi, aposta no sucesso da picape apoiado em números: “De 1995 para 2011, a produção de grãos do Brasil saltou de 79,3 milhões para 159,4 milhões de toneladas.” Outro número extraído do campo agrada ao executivo: “Em 1996 exportamos 150 mil toneladas de carne bovina e esse número passou a 1,094 milhão de toneladas em 2011.” A perspectiva de crescimento da produção de etanol foi lembrada por Colossi.
Sobre o atual perfil dos compradores de S10 ele revela: “20% deles estão na cidade de Goiânia (GO), enquanto São Paulo (SP) tem 6%.” Outros mercados importantes para a S10 são Cuiabá (MT), Campo Grande (MS) e Ribeirão Preto (SP). “Dos compradores de S10, 45% são fazendeiros ou empresários; 41% rodam com a picape ao menos uma vez por semana em estrada não pavimentada; e 45% vivem em cidades com menos de 500 mil habitantes.
BEM MAIS GOSTOSA DE GUIAR
Melhorou bastante a posição de dirigir da S10. O formato do banco, tamanho do volante e disposição dos instrumentos estão mais próximos do interior de um automóvel. O acabamento não impressiona, mas condiz com a proposta da picape. As suspensões garantem conforto e boa estabilidade até mesmo em piso ondulado. A versão cabine dupla anterior tinha suspensões macias demais, o que prejudicava seu controle em curvas. Isso mudou na nova geração. As versões a diesel são mais agradáveis de dirigir por causa da potência extra, mas o motor 2.4 flex também tem boas respostas. Confira abaixo a lista de preços.
S10 cabine simples
LS flex 4×2 – R$ 58.868;
LS diesel 4×4 – R$ 85.400;
LT flex 4×2 – R$ 61.890.
S10 cabine dupla
LS flex 4×2 – R$ R$ 66.350 a R$ 72.490;
LS diesel 4×2 – R$ 97.900;
LT diesel 4×2 – R$ 103.90;0
LT diesel 4×4 – R$ 109.500;
LT diesel 4×4 automática – R$ 113.400;
LTZ flex 4×2 – R$ 84.400;
LTZ diesel 4×2 automática – R$ 117.400;
LTZ diesel 4×4 automática – R$ 135.250.