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Mário Curcio, AB
Desenho inspirado, futurista, muita tecnologia e bom espaço para quatro pessoas são características marcantes do Chevrolet Volt, que a General Motors trouxe ao Brasil para mostrar ao meio acadêmico, gerar palestras e certamente acalorar discussões sobre o futuro do carro elétrico.
A GM deixa claro que não tem, pelo menos por enquanto, a intenção de vender o modelo no Brasil. Com preço sugerido de US$ 41 mil nos Estados Unidos, ele chegaria aqui a mais de R$ 200 mil, isso sem incluir na conta o custo de eventuais tropicalizações, certamente mais caras e trabalhosas que as de um modelo a gasolina.
Mesmo assim, a montadora trouxe e emplacou cinco carros e criou o programa “VoltXpedition 2011 – Energias Renováveis”, que percorrerá seis Estados divulgando a tecnologia do modelo. O veículo já marcou presença em eventos voltados ao público jovem e numa competição automobilística, da qual foi o carro-madrinha. Até o fim do ano ele estará em pelo menos mais cinco eventos.
Em sua aparição na Stock Car, o carro foi dirigido pelo bicampeão mundial de Fórmula 1, Émerson Fittipaldi, que se mostrou surpreso com a dirigibilidade. Automotive Business também aprovou o modelo, pelo menos nos trechos do Rodoanel Mário Covas e nas avenidas em que foi possível dirigi-lo.
As retomadas de velocidade são sempre rápidas, lembrando a agilidade de um carro com motor 2.0. A velocidade máxima divulgada é de 160 km/h, nada mau para um veículo ambientalmente correto. Em pequenas subidas ele também convenceu.
O Volt utiliza dois motores elétricos. Em conjunto eles geram o equivalente a 150 cv. São alimentados por uma grande bateria de cerca de 1,80 metro e 198 quilos em forma de “T” e feita de íons de lítio. Para carregá-la em 110 volts é preciso oito a dez horas. Em 220 V o tempo cai para quatro a cinco horas.
E como a autonomia que fornece é um tiro curto, de cerca de 60 quilômetros, o carro também utiliza um motor estacionário (1.4 a gasolina, com 84 cv), que entra em ação automaticamente assim que termina a carga da bateria. Ele fornece energia diretamente aos motores elétricos do Volt, não é destinado a recargas.
“Essa unidade estacionária também é acionada em situações em o motorista exija fundo do carro, como uma ultrapassagem”, explica o engenheiro elétrico da General Motors, Gino Spada. Isso ocorre mesmo que a bateria esteja com toda a carga. Saindo com a bateria carregada e o tanque de gasolina cheio, o carro roda até 560 quilômetros, segundo a GM.
No painel se destaca a indicação de nível de carga da bateria, à esquerda do velocímetro, representada por uma grande pilha. Voltando àquela aula de ciências do ensino fundamental, lembramos que a invenção da pilha ocorreu em 1800 e é atribuída ao físico italiano Alessandro Volta, de quem este Chevrolet herdou o nome. Outro indicador importante no painel, este à direita, é uma espécie de econômetro, que induz o motorista a poupar energia enquanto dirige.
Silencioso e muito fácil de guiar
Em movimento, chama a atenção o silêncio de rodagem. Só se ouve o ruído dos pneus no asfalto. Mesmo a entrada em funcionamento do motor estacionário é difícil de perceber. Ele trabalha sem muito alarde sob o capô dianteiro, girando entre 1.500 e 4.800 rpm.
O Volt é fácil de dirigir, como se fosse um modelo automático. Para liga-lo só é preciso portar o chaveiro e apertar um botão no painel. Com a transmissão em “D” e pé no acelerador, lá vai ele, sem barulho, mas chamando muito atenção. Adesivadas e andando em comboio, as cinco unidades atraíam todos os olhares pelo caminho da VoltXpedition.
Um casal de adolescentes interrompeu o amasso no muro da escola para vê-lo passar. Os motoboys torciam o pescoço para olhar a novidade. Todo o mundo apontava, surpreso com a carreata elétrica.
A posição de dirigir é muito fácil de encontrar. O volante tem ajustes de altura e profundidade. Os bancos são bem envolventes e têm revestimento de couro. Uma grande tela no centro do painel ajuda a lidar com o som, o ar-condicionado. Nem tudo, porém, tem funcionamento intuitivo. O espaço para as pernas de quem vai atrás é bom, mas o porta-malas de 300 litros é pequeno para o porte do carro. A visibilidade traseira é prejudicada em dias de chuva pela falta de um limpador.
A estabilidade é um ponto de destaque do carro, assim como os freios, que têm sistema antitravamento (ABS) e são regenerativos, ou seja, transformam em eletricidade parte da energia gasta para reduzir a velocidade do carro.