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FÁBRICAS

China condena chefe da Evergrande, empresa que tentou ser montadora

Em seus últimos anos, companhia do setor imobiliário investiu em marcas suecas e criou a sua própria, a Hengchi

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Bruno de Oliveira

20 ago 2026

3 minutos de leitura

O mundo ocidental amanheceu com a notícia da condenação à prisão perpétua do fundador da Evergrande, a incorporadora chinesa que, além de ter provocado tremendo alvoroço na economia mundial em 2021, rompendo a bolha imobiliária na segunda maior economia do mundo, também tentou a sorte no setor automotivo investindo em marcas europeias e criando a sua própria.

A empresa de Hui Ka Yan investiu na produção de veículos entre 2017 e 2020, em um movimento claro de diversificação dos negócios para um segmento que, naquele momento, crescia e se mostrava promissor na China. BYD é outro grande exemplo de empresa de outro setor – no caso o das baterias elétricas – que fez o mesmo movimento.

A primeira incursão da Evergrande foi em 2017. A subsidiária Evergrande Health tornou-se investidora da Faraday Future, empresa de carros elétricos premium dos Estados Unidos, com aporte de US$ 2 bilhões em troca de uma participação de 45%. Inicialmente foram desembolsados US$ 800 milhões.

O investimento, porém, terminou em uma disputa. A Evergrande e a Faraday Future entraram em conflito sobre novos aportes e controle da operação. Em outubro de 2018, a justiça de Hong Kong permitiu que a Faraday Future buscasse financiamento de outras fontes.

Em janeiro de 2019, a Evergrande Health comprou 51% da NEVS (National Electric Vehicle Sweden) por cerca de US$ 930 milhões. A NEVS havia adquirido os ativos da antiga Saab Automobile e, portanto, permitiu à Evergrande ter acesso a instalações industriais, engenharia e tecnologias associadas à Saab. Em 2020, a Evergrande passou a controlar integralmente a NEVS.

A Evergrande também firmou parceria com a fabricante sueca de supercarros Koenigsegg por meio da NEVS. A empresa investiu € 150 milhões e ficou com 20% da holding da Koenigsegg. Além disso, as empresas criaram uma joint venture na qual a NEVS tinha 65% e a Koenigsegg 35%. Da parceria nasceu o Gemera, apresentado em 2020. Era um híbrido de altíssimo desempenho, com produção limitada a 300 unidades.

Hengchi foi a aposta mais ambiciosa da Evergrande

Hengchi 5, o único SUV da Evergrande que de fato virou um produto de série. Foto: Divulgação

O projeto mais ambicioso foi a criação da sua marca própria, a Hengchi, por meio da Evergrande New Energy Vehicle Group. O plano era verticalizar praticamente toda a cadeia, assumindo o desenvolvimento de veículos, plataformas, motores elétricos e baterias.

A Evergrande chegou a anunciar 14 modelos em desenvolvimento, cobrindo diferentes segmentos. O grupo pretendia iniciar a produção em escala e transformar a empresa em uma das maiores fabricantes de veículos elétricos do mundo.

O primeiro modelo, Hengchi 5, chegou posteriormente à produção e entrega, mas a operação nunca atingiu a escala que a Evergrande havia projetado.

O SUV tinha um motor elétrico que gerava 201 cavalos, autonomia de 600 quilômetros e bateria fornecida pela CATL. O preço, à época, era de cerca de US$ 26 mil.

A Evergrande abriu a pré-venda do modelo em julho de 2022. Naquele momento, a empresa chegou a anunciar mais de 37 mil pedidos, um número impressionante diante da situação financeira do grupo.

A produção em série começou em setembro daquele ano, na fábrica de Tianjin, e as primeiras entregas começaram em outubro. E aí está um detalhe interessante: o carro chegou efetivamente ao mercado justamente quando a Evergrande já estava mergulhada em sua crise de liquidez.