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China expande investimentos na Argentina

Filipe Domingues, Agência Estado
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Redação AB

17 jun 2011

2 minutos de leitura

O investimento chinês na Argentina vem se expandindo, na medida em que o país asiático busca matérias-primas usadas na indústria e alimentos para seus 1,3 bilhão de habitantes. Na América Latina o país asiático aplicou US$ 15,6 bilhões no período de 12 meses encerrado em maio, quase três vezes mais do que no ano anterior, de acordo com relatório da consultoria Deloitte. O Brasil recebeu 60% do total e a Argentina quase 40%.

Durante os últimos três anos, mais de 70% do investimento da China na região foi para energia e minerais, mas a agricultura está atraindo mais a atenção do país que busca se expandir em terras estrangeiras. A China já é destino da maior parte da soja exportada pela Argentina – principal cultura e maior receita com exportação dos argentinos. A soja é usada principalmente como ração na China, onde o consumo de carnes está crescendo, conforme aumenta também a renda pessoal. Ao mesmo tempo, a urbanização na China vem diminuindo as áreas de terras cultiváveis.

Na semana passada, a maior companhia agrícola da China, a Heilongjiang Beidahuang Nongken Group, fechou acordo para formar joint venture com a argentina Cresud, visando a comprar terras e lavouras de soja. A Cresud é uma das maiores empresas de agricultura da Argentina e controla mais de 1 milhão de hectares de terras, nas quais produz grãos, gado e leite.

A incursão da Heilongjiang Beidahuang na agricultura ocorre na esteira de pesados investimentos de chineses no setor petrolífero da Argentina. Em fevereiro, a Occidental Petroleum vendeu seus ativos locais para a China Petroleum & Chemical por US$ 2,5 bilhões. No ano passado, a chinesa Cnooc, em parceria com a argentina Bridas, fechou a compra de participação de 60% da Pan American Energy, da BP PLC, por US$ 7,1 bilhões.

A caça da China às matérias-primas também chegou à mineração, com a MCC Minera Sierra Grande, unidade da estatal chinesa China Metallurgical Group. Ela comprou a mina de ferro Sierra Grande na província de Rio Negro em 2006. A mina, que estava fechada desde 1991, enviou a primeira carga de minério de ferro concentrado para a China em fevereiro deste ano.

A Deloitte prevê que o investimento da China continue chegando à América Latina, mas espera uma diversificação no futuro para outras indústrias, como manufatura, infraestrutura e finanças. Embora esteja crescendo exponencialmente, o investimento da China ainda representa uma parcela relativamente pequena do total de investimento estrangeiro direto (IED) na região. O IED na América Latina cresceu 40% em um ano, para US$ 113 bilhões em 2010, e a expectativa é de que aumente de 15% a 20% neste ano, de acordo com a Comissão Econômica das Nações Unidas para América Latina e Caribe. As informações são da Dow Jones.