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Chineses enfrentam desafio da internacionalização

Este ano a China deve chegar ao seu primeiro milhão de veículos exportados (foram 800 mil em 2011), número que a Alemanha atingiu em 1966, o Japão em 1970 e a Coreia em 1996. ´´Estamos progredindo, mas o mercado externo representa ainda muito pouco da produção chinesa, menos de 5%, enquanto para as fabricantes alemãs esse índice chega a 70%, ou 50% no caso das japonesas e 65% para as coreanas´´, comparou Zhi Luxun, vice-diretor geral do Departamento de Indústria Eletrônica, Mecânica e de Alta Tecnologia do Ministério de Comércio da China. Durante sua apresentação no painel ´´Expandindo Além das Fronteiras´´, durante o III Global Automotive Forum (GAF 2012), realizado na semana passada em Chegdu, Luxun reconheceu que o país ainda tem muito a fazer para que suas exportações de carros sejam, de fato, relevantes para o contexto econômico das montadoras chinesas.
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pedro

11 set 2012

4 minutos de leitura

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´´Não podemos ser uma exceção, também precisamos nos globalizar´´, destacou o dirigente chinês. Ele lembrou que o mercado de automóveis da China já é bastante internacional e a maioria das marcas globais já é fabricada no país, por meio de 17 joint ventures com empresas estatais locais, que juntas dominam cerca de 70% das vendas de veículos leves. Contudo, apesar de já serem vendidas em mais de 20 países, Luxun destacou que as marcas genuinamente chinesas (sem associações com estrangeiros) ainda não podem ser chamadas de globais, pois não têm penetração relevante nos maiores mercados fora da China.

´´O Brasil é o nosso grande mercado, mas depois da adoção de sobretaxação as vendas caíram 85%. Hoje a Rússia ainda é nosso maior destino porque lá ainda não existem restrições. Mas esses dois países são boas lições para nós, pois nos ensinam que precisamos fazer mais do que simplesmente mandar carros para fora do país´´, afirmou Luxun. ´´Não somos fortes fora da China porque existem barreiras tecnológicas e não fizemos um plano de internacionalização, não adaptamos corretamente nossos produtos para exportação, temos problemas de qualidade e de serviços pós-venda´´, admitiu.

Para o dirigente, a maior dificuldade para as marcas chinesas não está fora do país, mas dentro. ´´Precisamos criar uma reputação para nossos produtos a começar pelo mercado doméstico (mais de 30 fabricantes têm só 30% das vendas na China). Depois disso, é necessário adaptar nossos produtos à cultura e à legislação local. E por fim não se pode esquecer da construção de uma rede de serviços de pós-venda nos mercados onde queremos atuar, pois sem isso nenhuma marca sobrevive´´, elencou.
Para as marcas chinesas, exportar mais será mandatório para garantir a própria sobrevivência, pois existem muitos fabricantes competindo em uma faixa apertada do mercado doméstico, de menos de um terço das vendas totais. Assim, buscar clientes além das fronteiras é um caminho para escoar a produção e, ao mesmo tempo, ganhar qualidade e reputação ao lidar com consumidores mais exigentes, para competir em pé de igualdade com as estrangeiras em seu próprio país.

BRASIL NA MIRA

A Great Wall é marca chinesa que há 10 anos tenta a sorte no exterior – incluindo alguns mercados maduros como a Inglaterra, onde já vende picapes. ´´Sabemos que sem um plano nem pesquisa temos poucas chances de crescer nos mercados externos. Antes de mandar nossos veículos para fora, tentamos entender o que esses clientes querem e adaptamos os produtos´´, diz Shi Qingke, diretor geral de operações internacionais da montadora. “É necessário fazer pesquisa e desenvolvimento para vender no exterior. Para os países árabes, por exemplo, temos de oferecer carros com acabamento interno em vermelho, que eles adoram, além de mudar o sistema de arrefecimento, que precisa ser mais eficiente.”

A Great Wall já tem planos de adaptar produtos para explorar o mercado brasileiro, mas ainda faz estudos para escolher a melhor abordagem, provavelmente por meio de associação com empresa local para fabricar seus carros no Brasil e assim fugir da sobretaxação do IPI, conforme adiantou Automotive Business (leia aqui).

´´A sobretaxação apenas atrasou o crescimento das marcas chinesas no Brasil. Quando começarem a produzir no país nas novas fábricas que estão construindo, serão de novo muito competitivos´´, avaliou no mesmo painel Max Warburton, analista do setor automotivo da consultoria Sanford C Bernstein. ´´Para competir no exterior é preciso oferecer superioridade em vez de preço. É o caso dos alemães e japoneses. Mas os chineses já entendem seus problemas e sabem o que fazer para serem bem-sucedidos nos mercados internacionais. Contudo, esse é um processo de longo prazo´´, diz o analista.

´´Precisamos mudar nosso conceito de só exportar e aumentar nossa corrente de comércio. As zonas de livre comércio fornecem um bom ambiente para essas trocas´´, disse Luxun, que como representante do governo chinês deixou a entender que a China deverá, nos próximos anos, buscar acordos comerciais com diferentes países para diversificar seus mercados.