
Powertrains e componentes da Fiat serão produzidos em fábricas da Chrysler, que receberá também tecnologias e projetos da fabricante italiana em troca de participação acionária de 20% a 35%.
A Nova Chrysler e a Fiat devem produzir em conjunto cerca de 4,2 milhões de veículos, ficando no ranking global de produtores depois da Toyota, General Motors, Volkswagen e Ford – estará disputando a quinta posição com a coreana Hyundai.
“A aliança transformará a Chrysler em uma companhia revigorada por novas vantagens estratégicas” – disse Bob Nardelli, chairman e CEO, que deixará o posto tão logo a Nova Chrysler saia da concordata. Tom Lasorda, que também é presidente, se aposentará.
O comunicado, publicado no website da Chrysler (veja também O press release sobre a Nova Chrysler), diz que os entendimentos entre as duas montadoras que se associam tiveram início há mais de um ano.
A concordata
A Chrysler afirma no comunicado que não conseguiu chegar a um acordo com os credores para evitar um processo de concordata, já solicitado pela empresa junto à corte específica de Manhattan (U.S. Bankruptcy Court).
A empresa pediu o enquadramento no Chapter 11, que regulamenta o processo de recuperação judicial de empresas.
A corte é a mesma à qual já recorreu também a Delphi há quatro anos. O juiz Arthur Gonzales (o mesmo dos casos Enron e WorldCom) será o encarregado dos procedimentos legais.
Trata-se do primeiro caso envolvendo uma das três principais montadoras norte-americanas.
As operações no México, Canadá e outras partes do mundo não estão incluídas na concordata.
Para Sergio Marchionne, CEO do grupo Fiat, a concordata representa uma solução para os problemas da Chrysler, que atingem também a indústria automotiva global.
Impacto no setor
O presidente Obama disse acreditar em grande chance de sucesso para a nova joint venture e assegurou que a iniciativa preserva cerca de trinta mil postos de trabalho na Chrysler e outros milhares de empregos na cadeia de suprimentos e distribuição.
O impacto sobre a cadeia de produção e distribuição e na economia, no entanto, deve ser expressivo. A maioria das fábricas ficará paralisada durante os 30 a 60 dias da concordata e, assim como a rede de distribuição, sofrerá reduções.
A Fiat terá uma participação de 20% na nova empresa que emergirá da reestruturação e poderá se tornar principal acionista tão logo os empréstimos do governo sejam pagos.
A Chrysler anunciou ainda que recorrerá ao GMAC Financial Services para financiar sua rede de concessionárias.