
Para o banco, o relatório coloca como principal risco ao cenário básico uma retomada mais acelerada da atividade econômica, em particular com relação à velocidade de ocupação da margem remanescente de ociosidade, em um contexto em que a inflação já se encontra ao redor da meta e, portanto, com pouca margem de manobra. Além de bem mais consistente com o cenário econômico atual, o relatório reconhece que os riscos são assimétricos na direção de uma recuperação mais acelerada e sinaliza que o BC continua atento e pronto para agir, afastando os temores de que ele poderia ficar “atrás da curva”.
O Fibra assinala que o Banco Central trabalha com um crescimento do PIB de 0,2% neste ano e de 5,8% em 2010, além do cumprimento das metas de superávit primário de 2,5% do PIB neste ano e de 3,3% em 2010 e 2011. No cenário de referência (que considera Selic constante em 8,75% e taxa de câmbio constante em R$ 1,75/US$), o BC estima inflação de 4,6% em 2010 e 2011, ligeiramente acima da meta e da projeção anterior (4,4% em 2010).
A maior novidade ficou para as projeções no cenário de mercado para 2011, que usa a curva de projeções do Focus tanto para juros quanto para câmbio. O cenário para 2010 ficou praticamente estável, com IPCA na meta (4,5%), mas houve uma redução na projeção para a inflação de 2011, fruto do aumento das expectativas de mercado para a taxa de juros ao longo de 2010 e 2011. No relatório de setembro o BC projetava IPCA de 4,6% até o terceiro trimestre de 2011, enquanto no relatório de dezembro essa projeção recuou para 4,3%.
Tendo em vista o tom mais realista do relatório e a evolução recente dos indicadores de atividade econômica, que sinalizam uma recuperação de fato mais acelerada em 2010, o Fibra revisou os cenário para o início do ciclo de aperto monetário de julho para abril — manteve, no entanto, a mesma magnitude do ajuste, totalizando 250 pontos ao longo de 2010, o que levaria a Selic a encerrar o ano em 11,25%.